Dicas

5 razões para comprar uma DSLR de entrada e 4 razões para não comprar

16/09/2016
5 razões para comprar uma DSLR de entrada

Quando alguém decide entrar no mundo da fotografia para produzir fotos de qualidade seja por hobbie, seja por profissão, a melhor opção disponível pelos fabricantes são as câmeras com lentes intercambiáveis, ou seja as câmeras que permitem a troca de lentes. Isso porque as lentes respondem por uma parcela extremamente expressiva da qualidade geral das imagens. Eu diria inclusive, que o sensor fotográfico e as objetivas são os dois principais elementos da equação das fotos de alta qualidade de imagem.

Nesse sentido, o fotógrafo iniciante tem essencialmente duas opções: comprar uma Mirrorless ou uma DLSR. Para decidir entre essas duas categorias, você pode dar uma olhada no nosso guia de como escolher uma câmera digital. Mas se você já optou por uma DSLR, podemos começar a discutir sobre a primeira razão para comprar uma de entrada.

 

5 razões para comprar uma câmera DSLR de entrada

1 Possuem baixo custo

Nikon D3400

O nome de entrada já diz tudo. São os modelos de DSLR que os fabricantes aplicam toda a sua genialidade de engenharia para cortar as arestas e entregar a melhor qualidade de imagem com o menor custo possível. Os materiais utilizados são mais simples, contendo muito plástico para reduzir o custo de produção e, em contrapartida, produzir câmeras menos resistentes e duráveis. Alguns elementos como o obturador, por exemplo, também são menos duráveis, possuindo uma vida útil menor, o que acaba reduzindo o valor de revenda das câmeras de entrada. Mas ainda assim, se você não fotografa casamentos todos os finais de semana, a vida útil dessas pequenas notáveis vai longe, muito longe…

Nesse outro artigo você pode ver que a vida útil do obturador de câmeras de entrada gira em torno de 50 a 100 mil cliques, enquanto nos modelos superiores essa vida útil pode chegar a durar até 4 vezes mais. Esses números, no entanto, não são sentenças de morte absolutas. De fato, na vida real, eles variam enormemente de acordo com o uso e com o cuidado, podendo ir muito além do previsto. Há também um pouco de sorte na questão da durabilidade, como acontece com qualquer outro produto industrializado.

Ou seja, seu custo reduzido tem um impacto na resistência, na qualidade dos materiais e na durabilidade, mas nada que seja um problema para entusiastas ou para profissionais iniciantes.

 

 2 São mais fáceis de aprender

canon eos rebel t5i

Ainda na onda de torná-las mais enxutas para reduzir os custos, as DSLR de entrada possuem uma quantidade bastante inferior de recursos.

O que pode parecer um ponto negativo, na realidade só será de fato negativo se você tem a intenção de fotografar de maneira realmente avançada, utilizando técnicas fotográficas mais complexas em conjunto com todo tipo de acessórios, em especial os de iluminação. Definitivamente não são todas as pessoas que tem esse interesse ou até mesmo prazer em fotografar dessa forma. E é aí que essa limitação de recursos é útil e de certa forma, inteligente.

Apesar de restritas, as DSLR de entrada possuem um conjunto básico de ajustes manuais que é capaz de resolver a grande maioria das situações. Elas possuem controles de velocidade, abertura e ISO, além de permitirem ajustes de balanço de branco, medição de luz, controle de ponto de foco e por aí vai. Elas possuem o essencial, ou seja, o supra-sumo de recursos para se aprender fotografia.

Já as câmeras superiores incrementam todas essas opções de maneira avançada ao mesmo tempo em que oferecem novos controles e recursos. Um exemplo é o caso da Nikon, cujas DLSRs de entrada não oferecem motor de foco interno no corpo. Isso significa que uma série de lentes fotográficas não serão compatíveis com autofoco, ficando restritas ao foco manual. No caso das objetivas da Nikon, estamos falando de todas as objetivas AF. Se você está pensando em comprar uma DSLR da Nikon de entrada e uma objetiva de terceiros, certifique-se de que essas objetivas possuem motor de foco interno na própria objetiva para poder usufruir do autofoco.

Alguns outros exemplos de limitações (variam de modelo para modelo, não sendo uma regra).

  • Ausência de controles para sistemas de flashes externos.
  • Menos opções de balanço de branco, como definição de valores em Kelvin, por exemplo.
  • Menos botões, necessitando de ajustes por meio do menu no painel LCD, o que torna o processo de fotografar menos ágil.
  • Restrições em recursos avançados como o Active D-Lighting e o Auto Lighting Optimizer.
  • Menor velocidade de disparo contínuo.
  • Menor quantidade de intervalos de luz (f-stops, pontos de luz ou paradas de luz) nas configurações de abertura, velocidade e ISO.
  • Ausência de intervalômetro para criação de time-lapses.
  • Menor quantidade de pontos e modos de autofoco.
  • Recursos de vídeo restritos, microfones inferiores.
  • Inexistência de opções de bracketing automático.
  • Inexistência de recursos avançados como exposição múltipla, HDR, panoramas.
  • Incompatibilidade com acessórios, como o GPS por exemplo.
  • Menor conectividade.
  • Baterias mais fracas.

Note que para a maioria das pessoas nenhuma dessas restrições é verdadeiramente inaceitável. Então é preciso ponderar, já que são câmeras muito mais fáceis de aprender a mexer e operar.

3 São bem menores e mais leves

sony A58

Se tem uma coisa que realmente me incomoda quando viajo é o fato de que as DSLRs são grandes e pesadas demais. Fora o peso e o tamanho do corpo, ainda temos as objetivas. Se você tiver uma objetiva zoom clara, então nem se fala… Não é difícil encontrar fotógrafos profissionais sofrendo de dores no corpo em função do peso dos seus equipamentos. Inclusive, talvez não seja uma boa ideia ter uma full frame topo de linha e uma lente 70-200 f/2.8 e não fazer musculação. Há quem diga que faz musculação com a própria câmera!

Resumindo, coloque uma lente 35mm f/1.8 (ou uma 50mm, se preferir) em uma DLSR de entrada e você tem um conjunto compacto, leve e poderoso a um custo baixo, que você pode carregar pra cima e pra baixo sem ter que apelar para o Tandrilax.

Compare a diferença:

Canon EOS REBEL T5

Dimensões | Peso
129.6 (L) x 99.7 (A) x 77.9 (P) mm | 435 g (só o corpo)

CANON EOS 5D Mark III

Dimensões | Peso
152 x 116.4 x 76.4 mm | 860g (só o corpo)

4 São menos ostensivas

pentax k50

Há pessoas andando nas ruas que fogem de pessoas portando DSLRs assim como o diabo foge da cruz. Elas sentem-se intimidadas pelo equipamento achando se tratar de alguém que irá utilizar a imagem delas comercialmente ou publicar uma foto em algum jornal sem o consentimento delas. Embora cada vez mais acessíveis ao público geral, principalmente com o baixo custo dos modelos de entrada, as DLSRs ainda transmitem a ideia de que há um profissional ali. Portanto, se você gosta de fotografar street, câmeras menores irão jogar a seu favor por serem menos intimidadoras.

Além disso, se você mora em uma capital violenta, como todas as do Brasil, a questão da segurança é muito importante. Câmeras DSLR também gritam “roubem-me”. Há seguros específicos para equipamentos fotográficos, mas que talvez não sejam acessíveis a todos. Fotógrafos são famosos por se arriscarem, mas se parar pra pensar, há situações em que é melhor arriscar um equipamento de 1500 reais do que um de 20 mil.

 

5 Sem dramas para atualizar

Por mais simples que a sua DSLR seja e mesmo que ela seja um modelo de entrada antigo que você comprou usada quebrando o cofrinho, ela ainda é uma DSLR. Isso quer dizer que quando você for atualizar a sua câmera, você só precisará atualizar o corpo e poderá usar as mesmas lentes que você já tinha. O legal das DSLR é isso, as lentes duram uma vida inteira e você pode até mesmo garimpar lentes antigas, do tempo da fotografia analógica para usar em sua DSLR, quando compatíveis.

Além disso vender uma DSLR usada é algo bem fácil no Brasil, já que são muitos os apaixonados por fotografia e também são muitos os iniciantes com restrições orçamentárias. Vende-se praticamente todo equipamento fotográfico que se anuncia, bastando apenas acertar o preço.

Além disso, uma pessoa que esteja entrando agora na fotografia pode usar a diferença de preço entre uma de entrada e uma avançada para comprar acessórios como um flash externo ou lentes melhores. Assim poderá ter mais recursos para conseguir novos clientes. Separando-se uma parte do lucro para a atualização dos equipamentos, logo será possível vender o corpo da câmera de entrada e partir para uma categoria superior.


5 razões para não comprar uma câmera DSLR de entrada

1 São muito restritas

Volte para o ítem 2 das razões para se comprar. Note que muitas daquelas restrições são absolutamente indispensáveis para situações mais complexas de fotografia. É preciso ponderar também o desempenho em pouca luz, que via de regra é muito superior nas câmeras Full Frames ou em modelos com bons recursos para controle de ruído em ISO alto.

Há ainda a questão do alcance dinâmico, que em geral é menor nas câmeras de entrada. Sabe aquela cena em que o contraste entre as áreas mais iluminadas e as áreas mais escuras é muito grande? Então, câmeras com maior alcance dinâmico vão entregar melhores resultados e você vai poder extrair mais detalhes dessas áreas na pós-produção.

 

2 São mais lentas

Desempenho melhor no autofoco e capacidade de lidar com múltiplos disparos é algo indispensável para quem trabalha com situações de muito movimento, como animais, esportes, crianças e até mesmo casamentos. Mesmo utilizando-se os cartões de memória mais rápidos do mercado, ainda há uma diferença grande de desempenho entre as categorias.

 

3 Você pode comprar uma câmera usada mais avançada

Muita gente considera a compra de uma câmera de entrada para aprender fotografia, o que é bastante indicado. Mas se o seu objetivo é ir mais a fundo, vale muito a pena comprar uma câmera de categoria superior usada que esteja saindo pelo mesmo valor de uma DSLR de entrada zero km. Você terá que aceitar modelos de alguns anos atrás, mas como eu falei, já estamos em um estágio bastante avançado da fotografia digital em que mesmo essas câmeras mais antigas já possuem excelentes recursos, principalmente para fotografia. Elas acabam perdendo mais na questão vídeo, conectividade e megapixels.

Com relação a esse último ítem, os megapixels, é algo que eu diria para você não se preocupar muito. Mais megapixels jamais significaram maior qualidade de imagem, embora os vendedores desinformados insistam nessa falácia. Mais megapixels significa somente impressões em tamanhos maiores. Em contrapartida você tem que lidar com arquivos cada vez maiores. Lembre-se que há um custo para guardar essa informação toda em HD’s externos e serviços de armazenamento na nuvem.

 

4 Você pode preferir uma Mirrorless

 

Os modelos de entrada da Canon e da Nikon são vendidos nos EUA por volta de 400 dólares. Nessa faixa de preço também existem alguns poucos modelos de câmeras Mirrorless à disposição, como a Pentax Q-S1, a Samsung NX3000 e a Olympus Pen E-PL7. A ideia aqui é fotografar com um equipamento ainda menor e mais portátil. Uma das grandes vantagens das Mirrorless é que as lentes desenhadas para elas também são mais leves e menores.

É claro que há também a necessidade de se ponderar os demais aspectos técnicos como o tamanho dos sensores, por exemplo. Com exceção da câmera da Samsung, que possui sensor APS-C, ou seja, do mesmo tamanho dos sensores das DSLR de entrada, as demais perdem bastante nesse quesito. E repito: lentes e sensores são dois dos principais fatores que influenciam diretamente na qualidade de imagem.

Tudo volta sempre para a grande questão: qual será o uso a que se destina a câmera. Se for profissional, o recomendado é que o sensor seja pelo menos APS-C. Se for por hobbie, aí pode variar muito de acordo com o seu gosto.

Eu particularmente gosto muito da portabilidade e do design das Mirrorless. Mas por outro lado, não gosto de fotografar utilizando o painel LCD. Note que em muitos modelos de Mirrorless essa é a única opção.

Mas antes de optar por uma Mirroless lembre-se: qual será o seu próximo passo? Pois vão-se as câmeras, mas ficam-se as lentes. Note que a escolha por um sistema e uma marca pode determinar as suas compras futuras, caso você não queira perder dinheiro na venda de suas objetivas usadas.


E você, o que achou? Compartilhe conosco suas escolhas e opiniões sobre o assunto na seção de comentários abaixo.
Participe da discussão dizendo o que você pensou quando comprou sua primeira DSLR ou o que está pensando agora caso esteja escolhendo uma.

 

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7 Comments

  • Reply Tiago Bitencourt Santos 21/09/2016 at 13:21

    Gostei do artigo. Comprei uma DSLR de entrada (T6i) e ainda vejo que tem muito o que aprender. Acho que essa escolha depende do objetivo e da velocidade de “evolução” do fotógrafo. A mudança para algo mais sofisticado acaba sendo natural.

    ps: novo sistema de comentários!!

    • Reply Moysés Lavagnoli 22/09/2016 at 13:44

      Sem dúvidas, Tiago. É por aí mesmo. Eu tenho duas amigas que partiram logo de cara para uma mais avançada (da linha D7000 da Nikon) e estão tendo muitas dificuldades. Por isso que dependendo da pessoa, comprar uma de entrada no início pode ser uma boa ideia. Como você falou, a mudança pra algo mais sofisticado vai ser natural. E vender corpo de câmera é muito fácil… Sobre o sistema de comentários, incluí um com possibilidade de logar. Se não for bom, dá um toque que eu procuro outro! Abraço e boas fotos!

  • Reply João Rocha Barreto 29/09/2016 at 14:33

    Artigo muito bom. Me ajudou a decidir no investimento com uma câmera fotográfica. Sou músico mas adoro fotografia. Obrigado pelos esclarecimentos. Informar a cerca do seu trabalho e do que se gosta fazer é a principal qualidade de um profissional.

    • Reply Moysés Lavagnoli 29/09/2016 at 18:19

      João, muito obrigado pelo seu comentário! Fico muito feliz em ter te ajudado a escolher uma câmera. Essa é uma tarefa dificílima porque existem muitas marcas e modelos e as especificações técnicas são um verdadeiro bicho de 7 cabeças. Se quiser mais informação sobre escolha de câmeras tem mais 3 artigos prontinhos no site pra te ajudar: http://fotografiatododia.com.br/como-escolher-uma-camera-digital-parte1/ Um abraço!

  • Reply Auricleide 23/05/2017 at 13:39

    Estou amando tudo sensacional….

  • Reply Arthur 12/05/2018 at 03:55

    Amigo to pensando em adquirir uma 6D com um lente 50mm 1.4 usm, ou com 35mm f2 is usm(para fazer vídeo-acredito que essa lente sera mais versátil para tudo né?), será minha primeira camera. Tu acha isso loucura? ou pego as da linha rebel? Pois essas novas t7i e etc tem um autofoco bom que ajuda o iniciante né, porem a diferenca de preco entre a 6d e a T7i não é tão absurda assim e fico neste dilema entre full frame e novas tecnologias(asp-c). Tu acha que a 6d como minha primeira camera vai ser muito mais dificil de aprender do que na t7i? abraços

    • Reply Moysés Lavagnoli 12/05/2018 at 12:30

      Oi Arthur, tudo bom? Acho que não é loucura não. Muita gente prefere partir logo pra Full Frame, mesmo no início. Sobre a facilidade em aprender, acho que você não deve pensar nisso. Ambas as câmeras são feitas com MUITA tecnologia e são cheias de recursos avançados. E no fim, basta fazer muita amizade com o manual da sua câmera, praticar e experimentar muito. Fazer cursos, workshops, tutoriais. Não precisa ter medo, mas é preciso ter disposição pra estudar e aprender. Boa compra!

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