Dicas

A polêmica da marca d’água nas fotografias

14/10/2016
Como aplicar marca d'água em fotografia

Mais polêmica do que Nikon ou Canon, Mac ou PC, Biscoito ou Bolacha, a discussão sobre usar ou não marcas d’água sobre as fotografias divide opiniões entre fotógrafos de todos os nichos, estilos e níveis.

Basicamente as marcas d’água propriamente ditas se dão na forma de um logotipo inserido sobre a imagem em uma outra camada (layer) com opacidade reduzida, ficando esmaecidas sobre a foto.

Essa discussão, no entanto, extrapola esse tipo de aplicação, abrangendo também todas as demais formas de inserção de identificação sobre uma foto como uma maneira de marcá-la para fins de divulgação e proteção.

Os tipos de aplicação

É possível inserir logotipos formados pela união de um símbolo e do nome do fotógrafo ou do estúdio fotográfico, bem como a simples inserção de um nome, muitas vezes seguido do símbolo de copyright © e do ano de produção da imagem.

Assinatura no canto inferior da fotografia

O grande X da questão é que inserir assinaturas e marcas d’água sobre a foto destrói ou pelo menos prejudica a experiência de apreciação da imagem, daí a origem da polêmica.

É inegável o efeito devastador de distração do olhar, por mais discreta que seja a aplicação. Em algum momento o olho irá caminhar em direção à assinatura, modificando o percurso planejado pelo fotógrafo. Todo o cuidado com o ponto de interesse principal, ou seja, o assunto da foto, vai por marca d’água abaixo.

Marca d'água em fotografias: bom ou ruim?

Além disso, o trabalho de composição por exclusão, em que o fotógrafo elimina tudo o que é excesso de informação no quadro, é primordial para fotografias bem resolvidas. Inserir a marca d’água sobre a composição é andar na contramão dessa boa prática.

A estética de uma marca d’água

Outro ponto negativo nessa discussão se dá justamente nas características e atributos visuais dessa marca, seja ela um logotipo ou uma assinatura puramente textual.

Fotógrafos em início de carreira dificilmente tem orçamento para contratar um designer gráfico para projetar um logotipo e uma programação visual profissional para o seu negócio.

Muitos apelam para prestadores de serviço de baixo custo, que acabam entregando logotipos com problemas não só estéticos, mas técnicos também. Proporções mal resolvidas, formatos de arquivo inadequados, paleta de cores problemáticas, enfim… A lista de problemas possíveis é longa…

Logotipo ruim de fotografia

Além disso, mesmo aqueles que procuram uma solução mais simples, discreta e acessível, aplicando apenas uma assinatura textual, também correm o risco de pecar na escolha da tipografia, do tamanho e da posição da aplicação.

Mas qual o problema disso, já que é só uma mera identificação? Bem, basicamente se você aplica uma marca nas suas fotos para que ela ajude a divulgar o seu trabalho, o ideal é que ela seja uma boa marca. Uma marca que transmita o profissionalismo que se espera de um bom fotógrafo. Se ela é incapaz de fazer isso, você corre o risco de demonstrar o contrário: desleixo, amadorismo e o pior: um trabalho de baixo valor.

Aqui vale uma dica de design gráfico: jamais use a fonte Comic Sans na assinatura. Embora possa parecer tentador, já que ela é vista como a fonte simpática, divertida e amigável que já vem instalada no seu sistema, ela é definitivamente um indicador de amadorismo.

Assinatura em Comic Sans

Pergunte para qualquer publicitário ou designer. Procure Comic Sans em propagandas de grandes marcas: você não vai encontrar. Assim, o que era para ser usado como divulgação positiva do seu trabalho profissional, se torna um tiro pela culatra.

Eu também sugiro evitar as fontes do tipo Script, essas que parecem ter sido escritas à mão. Por serem muito rebuscadas, existem poucas realmente boas disponíveis de graça e definitivamente não são as que já estão instaladas em seu sistema operacional!

Sei que essa estética artesanal e feita à mão está com tudo, mas se você deseja muito um logotipo assim, procure um profissional que trabalhe com caligrafia moderna, como a gabrieladantur.com.br.

A minha sugestão aos que optarem pelo faça-você-mesmo é: utilize fontes sem serifa, as mais discretas que você encontrar. Se você não tiver condições de contratar um profissional e for fazer você mesmo sua assinatura, tenha em mente que nesses casos menos é mais. Não peque pelo excesso ou pelo exagero. Deixe sua fotografia falar mais alto que sua assinatura.

Fontes Sans Serif no Google Fonts

Você pode encontrar boas fontes sem serifa (Sans Serif) gratuitas em fonts.google.com

Marca d'água discreta.

Além da questão da escolha da fonte, também tome muito cuidado ao aplicar sombras (as famosas drop shadows) nas assinaturas. Embora seja um recurso para resolver problemas de contraste com o fundo, sua assinatura irá saltar aos olhos, como se estivesse pulando para fora da imagem. O que era pra ser discreto, acaba sendo exatamente o contrário.

Assinatura aplicada com sombra projetada (drop shadow)

 

Roubo de imagens

Há quem argumente a favor da aplicação de assinaturas como uma maneira de evitar o roubo de imagens, porém eu acredito que essa proteção seja pouco efetiva. Vejamos: há basicamente 3 motivos principais para o roubo de uma imagem:

  1. Uso em publicações como sites, blogs, revistas e jornais.
  2. Uso para ganhos comerciais com reproduções em produtos como quadros, roupas, postais etc.
  3. Roubo de identidade. O ladrão utiliza sua foto para dizer que é de sua autoria e assim obter alguma vantagem, como conseguir clientes.

Infelizmente se você publicar suas imagens na internet você deve ter a consciência plena de que ela está sim sujeita a roubo, esteja ela com marca d’água ou não.

Remover uma marca d’água no Photoshop já foi uma tarefa trabalhosa, mas hoje, na grande maioria dos casos, é possível realizar a operação em 10 segundos com dois ou três cliques. A exceção são as marcas d’água de bancos de imagem: grandes no centro da imagem e com repetições por todo o quadro. Difíceis mesmo de remover. Mas convenhamos, se você não é um banco de imagens, qual o sentido de publicar uma foto dessa maneira?

Além disso, em geral posicionamos a assinatura nos cantos das imagens para que a interferência na foto seja mínima, o que permite ao ladrão simplesmente realizar um corte na imagem eliminando a parte em que está a assinatura.

Já vi gente bloqueando a opção de download em sites como o Flickr ou até mesmo em seus sites pessoais por meio de recursos de programação destinados a isso. Mas o problema é que nossos computadores possuem a tecla “Print Screen”, que basicamente tira uma foto da tela. Resumindo: se o sujeito quer roubar, ele vai dar um jeito!

Direitos Autorais

A boa notícia é que você estará sempre protegido pelos direitos autorais. Pela lei brasileira o direito autoral é automaticamente seu após a criação da peça. Assim você poderá sempre valer-se da lei para lutar por seus direitos e pedir reparações.

É possível registrar uma autoria na Biblioteca Nacional, mas esse trabalho é opcional de acordo com o artigo 18 da Lei de Direitos Autorais, a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Art. 18. A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro.

No site da ABRAFOTO, a Associação Brasileira de Fotógrafos, você encontra mais informações sobre direito autoral na fotografia: www.abrafoto.org/Guia_Abrafoto/direito-autoral

Note que marcas d’água definitivamente não asseguram a autoria de uma foto, afinal qualquer um pode manipular uma imagem e colocar qualquer coisa sobre ela.

Resumidamente, para o caso de um processo nesse sentido, o autor deverá comprovar a autoria da obra. Isso pode ser feito de diversas maneiras, mas definitivamente não com o uso de uma marca d’água. Uma boa maneira de comprovar a autoria é com o uso do arquivo RAW original. Se o roubo ocorreu na internet, o acusado só terá o arquivo JPG. Mas cuidado: se o arquivo original em RAW tiver sido roubado de seu computador, aí o processo pode tomar outro rumo…

Em alguns casos é possível também apresentar notas fiscais referentes ao trabalho, orçamentos, e-mails que comprovem a relação com o cliente e o pedido. Se o roubo for feito por um amador e ele não tiver modificado os metadados, até isso pode funcionar como prova de autoria. Maneiras de comprovar a autoria da foto são várias e podem variar caso a caso.

Marca d’água como fonte de divulgação

O principal ponto a favor do uso da marca d’água é que ela sirva para fins de marketing e divulgação. Confesso que não possuo e nem encontrei dados suficientes, como uma pesquisa, por exemplo, para argumentar com embasamento científico a respeito da eficácia dessa estratégia na obtenção de novos clientes.

No entanto, me parece que há outras formas mais efetivas para angariar novos trabalhos como a boa e velha indicação, presença consistente em mídias sociais, anúncios, rede de contatos bem estabelecida, um estilo pessoal predominante, expertise em áreas específicas e, é claro, um portifólio bem projetado.

Se você navegar por websites e portifólios de grandes fotógrafos do mundo inteiro, vai ver que essa questão é bem pessoal. Há muitos que priorizam a experiência de visualização da imagem, eliminando a aplicação de marca d’água em todas as suas fotos, enquanto muitos outros aplicam a assinatura, das mais variadas formas.

Uma estratégia bastante comum é aplicar a marca d’água apenas em imagens que serão publicadas fora do seu site/portifólio. A lógica é simples: as pessoas navegando em seu site já estarão em contato com sua marca, não havendo necessidade da presença dela sobre todas as fotos. Já em redes sociais, blogs e outros sites isso não acontece. Nesses casos, uma foto compartilhada irá sempre com sua marca d’água, colaborando com a divulgação do seu trabalho.

Há quem argumente que mesmo as fotos do seu site poderão ser compartilhadas, mas aí vale pesar se a quantidade de vezes em que isso ocorre é realmente suficiente para justificar o prejuízo de experiência do visitante. Eu particularmente acredito que não. Mas novamente: isso é uma questão pessoal.

E quanto ao roubo das imagens do seu site, bem, a menos que você coloque uma marca d’água grosseira sobre uma porção enorme da sua imagem, ela será roubada de uma forma ou de outra, como já discutimos anteriormente.

Ainda sobre divulgação, há também mais um detalhe importante: há quem assine com o nome em todas as fotos, porém o nome não é facilmente encontrável na internet. É preciso ponderar se não vale mais a pena colocar o endereço do seu site ao invés do seu nome para otimizar a eficácia da assinatura como ferramenta de divulgação. Via de regra é possível eliminar o http://www. Será possível acessar o site mesmo assim e você irá reduzir 11 caracteres da assinatura.

Por fim, minha aplicação favorita é a que combina o melhor dos dois mundos: a assinatura é aplicada em uma moldura externa ao quadro, ficando presente mas sem interferir na composição.

Aplicação de logotipo de fotografia na moldura

 

Conclusão

A conclusão é que não há conclusão. A decisão é pessoal e há bons pontos a favor e contra a aplicação da marca d’água.

Porém, há um ponto pacífico tanto para quem advoga a favor da aplicação quanto para quem é contra: a marca d’água interfere na experiência de visualização da imagem. Portanto, se for aplicar, faça com cuidado procurando encontrar um equilíbrio que não comprometa o seu trabalho principal: a imagem. Escolha com cautela a tipografia da assinatura e se for usar um logotipo, pense com carinho na possibilidade de contratar um profissional para desenvolvê-lo para você. Ele irá trabalhar em prol da sua imagem.

E você? O que acha disso tudo? Como você faz com suas fotos? Já teve alguma fotografia roubada? Compartilhe conosco suas opiniões e experiências nos comentários mais abaixo!

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6 Comments

  • Reply Adalberto 14/10/2016 at 10:50

    Creio que o problema nem é a marca d’agua, aquela assinaturazinha pra lembrar que a foto tem um autor e que ele deseja ter sua obra identificada neste vasto mundo… o problema mesmo é a “tromba d’agua” que muitos insistem em chamar de marca. É a falta de noção que estraga tudo.

  • Reply Leonardo Boeira Maciel 14/10/2016 at 11:05

    Muito bom! Gostei do post. Continue que o site ta incrível!

  • Reply Victor 30/01/2017 at 11:22

    Moysés, muito bom o artigo. Como você faz a moldura?

    • Reply Moysés Lavagnoli 30/01/2017 at 17:01

      Oi Victor! A moldura é simples. No Photoshop, vá em Imagem > Tamanho da tela de pintura… Lá, marque a opção “Relativo” e, em seguida, adicione os valores que você quer acrescentar na largura e na altura para criar a moldura. Você poderá expandir a imagem em qualquer direção, controlando nos ícones de setas, para criar um lado maior onde ficará o logotipo. Para aplicar a moldura em múltiplas imagens, é só criar uma Action (Janela > Ações).

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