Equipamentos

Como escolher uma câmera digital? Parte I

17/02/2016
Como escolher uma câmera digital

Acompanhar a evolução das câmeras digitais é algo realmente fascinante. A cada novo modelo, há sempre uma curiosidade e uma expectativa com relação ao que está por vir. O desenvolvimento tecnológico é impressionante em todas as categorias. Há modelos de câmeras para absolutamente todos os bolsos, gostos, necessidades, propósitos e estilos. Mas o que por um lado parece ser maravilhoso, por outro lado deixa o consumidor, tanto o leigo, quanto o experiente, confuso. O leigo, porque está diante de uma indústria que produz equipamentos extremamente sofisticados com nomenclaturas e especificidades que somente um estudo mais minucioso pode esclarecer. O experiente, por sua vez, porque mesmo sendo um conhecedor desse universo, se depara com uma briga das marcas e modelos que acontece nos mínimos detalhes, exigindo bastante pesquisa para escolhas mais conscientes.

Nessa sequência de artigos, voltado aos que desejam iniciar na fotografia, você conhecerá as diferentes categorias de câmeras disponíveis no mercado, para que você possa passar pela primeira etapa da escolha do seu novo equipamento. Esse artigo não é suficiente para que você escolha exatamente qual a melhor marca e modelo para você, mas filtra o gigantesco universo de câmeras digitais disponíveis no mercado para alguns poucos modelos de acordo com as suas necessidades. Nos próximos artigos você conhecerá os demais recursos tecnológicos das câmeras para que dentro dessa primeira filtragem você possa comparar diferentes marcas e modelos e, por fim, escolher a sua câmera ideal!

 

Corpo / categoria

Essa é a primeira consideração a se fazer quando se pensa em comprar uma câmera. A indústria desenvolveu uma gama relativamente grande de categorias ou tipos diferentes de câmera. Cada um desses tipos cumpre um objetivo e possui pontos fortes e fracos. As diferentes categorias atingem públicos bem específicos, não só em termos dos objetivos que eles têm com a fotografia – de registros familiares mais simples até fotografia fine art -, mas também em termos de orçamento.

A primeira divisão de categorias é a que define a possibilidade de troca de lentes ou não. Assim, temos as câmeras com lentes “fixas” e as câmeras com lentes “intercambiáveis”.

As câmeras de lentes fixas podem ser divididas em quatro categorias: Ultracompactas, Compactas, Compactas com sensor grande e Bridges. Já as câmeras com lentes intercambiáveis podem ser divididas em: Mirrorless tipo Rangefinder, Mirrorless tipo DSLR, DSLR’s de entrada, DSLR’s Mid-Range e DSLR’s High-End. Essa divisão não é algo sacramentado, podendo variar conforme a fonte, loja, marca, ou mesmo a interpretação de diferentes fotógrafos. Optamos por essa nomenclatura nesse artigo para facilitar o entendimento.

 

Ultracompactas

Câmera digital ultracompacta Pentax Efina

Câmera digital ultracompacta Pentax Efina

Também chamadas de Point-and-shoot, algo como “apontar e disparar”, são as câmeras mais baratas, básicas e simples de operar. Possuem os menores sensores, o que restringe bastante a qualidade da imagem. Muitos modelos não apresentam controles manuais ou apresentam controles muito restritos, o que pode ser ideal para quem só quer uma câmera de uso fácil e rápido, sem ter que passar por uma longa curva de aprendizagem. Costumam ser tão fáceis de operar que a leitura do manual pode ser dispensada, o que é totalmente indesejável nas demais câmeras, visto que você paga uma bela quantia de dinheiro pelos recursos que elas oferecem, não fazendo muito sentido possuí-las sem saber operá-las. Assim, não são câmeras recomendadas para quem quer efetivamente aprender fotografia.

Praticamente todas possuem zoom, tendo este, de maneira geral, um alcance menor se comparado com as compactas e as bridges. As câmeras ultracompactas competem, em termos de mercado, com as câmeras dos smartphones. Isso porque ambas são fáceis de se levar para todos os lugares, pois cabem no bolso. No entanto, as ultracompactas são câmeras de maior qualidade que as câmeras dos smartphones. Elas possuem zoom real, ao invés do zoom digital deles. Isso faz toda a diferença já que o zoom digital é uma espécie de aproximação forçada por software, o que proporciona uma perda significativa de qualidade da imagem. Além disso, as ultracompactas apresentam melhor desempenho em situações complicadas de iluminação, quando há pouca luz, por exemplo. Elas também possuem sistema de autofoco mais rápido e preciso, maior autonomia da bateria, mais megapixels (o que permite imprimir as fotos em tamanhos maiores) e alguns modelos também apresentam sistemas de estabilização de imagem melhores que os smartphones, reduzindo consideravelmente a quantidade de fotos borradas (tremidas).

 

Compactas

Panasonic Lumix DMC-ZS100

Panasonic Lumix DMC-ZS100

Podem ser encaradas como ultracompactas avançadas. As diferenças variam de modelo para modelo. Algumas mais modernas já são capazes até mesmo de fotografar em formato RAW, o formato de imagem utilizado pelos fotógrafos profissionais pois funciona como um negativo digital, uma espécie de formato de imagem em que não há perda de informação, ao contrário do que acontece com o JPG. Essa compressão do JPG faz com que o arquivo tenha uma tamanho menor, mas ele perde informações de cor, especialmente nas áreas de muita luz e muita sombra. Para uma foto feita para ser imediatamente compartilhada, o JPG é uma boa opção, mas para uma foto produzida com mais cuidado, que passará por processo de pós-produção, o RAW é praticamente indispensável. Muitas dessas câmeras também possuem sensores maiores, lentes mais rápidas (que trabalham melhor em situações de pouca luz), baterias mais duráveis e flashes com maiores alcances.

 

Compactas com sensor grande

Câmera digital compacta com sensor grande Leixa X-U

Leixa X-U

Se um entusiasta ou fotógrafo profissional estivesse procurando uma câmera pequena para aqueles dias em que carregar uma monstruosa DSLR é inconveniente, certamente ele consideraria, além de algumas outras opções, a compra de uma compacta com sensor grande. O sensor é o equivalente digital do filme fotográfico, ou seja, é o local onde a captura da luz acontece. Quanto maior o tamanho do sensor, de maneira geral, melhor é a qualidade geral da imagem, especialmente em situações de pouca luz. Assim, essas compactas conseguem ter o melhor de dois mundos: ótima qualidade de imagem e controle criativo em corpos relativamente pequenos (alguns modelos, com sensores maiores, talvez façam com que você discorde do rótulo de compactas). Evidentemente são câmeras mais caras dentro da categoria de lentes fixas, mas é o preço a se pagar pelos seus benefícios.

 

Bridge

04-Olympus Stylus 1s

Olympus Stylus 1s

Em inglês bridge significa ponte. Essas são câmeras, portanto, foram projetadas para serem uma espécie de “ponte” entre compactas e DSLR’s. Elas tem um corpo que lembram muito as DSLR’s, sendo também chamadas no mercado estrangeiro de “DSLR-like” algo como “estilo DSLR”. O problema de considerá-las uma ponte é que, de maneira geral, possuem sensores muito pequenos, iguais aos das câmeras compactas, ou seja, parece que você está comprando um equipamento incrível a um preço imbatível, mas na realidade não é bem assim. Muitos vendedores até se referem à elas como “semiprofissionais”, o que é bastante questionável. O principal ponto forte delas, no entanto, é que alguns modelos são classificados como “superzoom”, e eles realmente são equipados com lentes que tem alcances absurdamente incríveis, maiores até mesmo do que as mais poderosas teleobjetivas oferecidas para as câmeras de lentes intercambiáveis. Um prato cheio como câmera de viagem, pois as lentes superzoom as tornam infinitamente mais versáteis do que todas as demais. Obviamente o preço a se pagar por isso é a qualidade da imagem, bastante inferior em função do tamanho do sensor e da qualidade das lentes, que apesar de poderosas em termos do alcance do zoom, deixam muito a desejar quando o assunto é nitidez, entre outros aspectos.

 

Mirrorless tipo Rangefinder

Câmera digital Mirrorless tipo Rangefinder Fujifilm X-Pro2

Fujifilm X-Pro2

Dois elementos com forte impacto no tamanho final do corpo de uma câmera são o sensor e o pentaprisma. As cameras Mirrorless, cuja tradução é “sem espelho”, referem-se à ausência do conjunto espelho + pentaprisma, que está presente em todas as DSLR’s. É esse conjunto que forma a imagem no chamado viewfinder, aquele pequeno local em que encaixamos nosso olho para realizar o enquadramento. Esse conjunto, também está ausente em todas as câmeras de lentes fixas, inclusive nas Bridges, que, apesar de apresentarem um viewfinder, ele é eletrônico, ou seja, a imagem apresentada ali não surge pelo jogo do espelho com o pentaprisma, e sim, pela representação eletrônica do que chega ao sensor.

Assim, as câmeras Mirrorless tipo Rangefinder, são câmeras com sensores em geral muito maiores do que os das compactas, com corpos bastante pequenos, muito semelhantes às câmeras populares dos anos 70, como a Olympus Trip 35. Em geral elas não possuem o viewfinder em cima do painel LCD, como nas DSLR, ou quando possuem é um viewfinder eletrônico muitas vezes posicionado no canto superior esquerdo da câmera.

Essa categoria também é muito procurada por fotógrafos entusiastas e profissionais que procuram uma câmera pequena, mas com boa qualidade de imagem e com a possibilidade da troca de lentes. As lentes que essas câmeras usam são desenhadas especificamente para elas. Isso faz com que a construção delas também seja menor e mais leve. Existe uma variação bastante grande de preço entre os modelos, principalmente em função do tamanho do sensor. Alguns modelos oferecem até mesmo sensores Full Frame, ou seja, do mesmo tamanho dos sensores das câmeras DSLR High-end, o que exige do consumidor uma bela quantia de dinheiro – mas totalmente justificável, diga-se de passagem!

 

Mirrorless tipo DSLR

Câmera digital mirrorless tipo SLR Samsung NX1

Samsung NX1

Basicamente a diferença para a categoria anterior é a presença do viewfinder eletrônico logo acima do painel LCD para uma experiência mais próxima à da fotografia com as câmeras DSRL. Também existem modelos com diferentes tamanhos de sensores e recursos, o que justifica a variação grande de preço entre eles. Alguns modelos também possuem uma empunhadura proeminente como nas câmeras DSLR. Pode parecer estranho elas tentarem parecer tanto como uma DSLR, mas lembre-se: ainda assim são câmeras menores e mais leves. Para um dia longo com uma câmera apoiada no pescoço, essa redução do peso pode fazer toda a diferença.

 

DSLR’s de entrada

Câmera digital de entrada Canon EOS 760D

Canon EOS 760D

Aqui entramos no fantástico mundo das DSLR’s. As Digital Single-Lens Reflex, ou Câmeras Digitais Reflex Monobjetivas. Esse baita nome representa o sistema de espelhos e pentaprisma utilizado para formar a imagem que vemos no viewfinder, como mencionado anteriormente.

Essas câmeras possuem, em sua maioria, o sensor no formato APS-C. Isso quer dizer que ele é um sensor considerado grande, muito maior do que o das compactas, bridges e de alguns modelos de mirrorless, porém menor do que o sensor Full Frame, cujas dimensões são equivalentes às do filme fotográfico de 35mm (36x24mm).

As DSLR’s de entrada são indicadas para iniciantes na fotografia, em especial aqueles com orçamento limitado. Em geral o que as fabricantes fazem é produzir uma câmera DSLR de boa qualidade, porém sem alguns recursos mais avançados, presentes nas categorias acima. A construção também é mais simples, levando materiais mais baratos.

O legal é que são câmeras de preços bastante acessíveis, além de serem câmeras menores e mais leves em comparação com as categorias superiores. Diversos recursos avançados são eliminados dessas câmeras para barateá-las. Podem apresentar menos opções de ISO e velocidades do obturador, menos pontos de focagem, painéis LCD mais simples, velocidade máxima do obturador mais restrita, menor cobertura do viewfinder, ausência da opção de travamento do espelho, ausência de bracketing de exposição e de balanço de branco, baterias com menor duração e podem também não possuir motor de foco embutido, o que exige lentes que possuam esse motor de foco, do contrário as lentes funcionarão somente com o foco manual.

Em suma, são câmeras que eliminam as funções mais avançadas, o que pode ser bom para um iniciante, já que são menos intimidadoras; possuem excelentes sensores e quando acompanhadas de boas lentes, entregam, sem dúvida, excelentes resultados.

 

DSLR’s Mid-Range

Câmera digital Mid-Range Sony Alpha SLT-A68

Sony Alpha SLT-A68

Nessa categoria se enquadram os fotógrafos que desejam ou necessitam dos recursos completos que as câmeras digitais mais modernas têm a oferecer, porém sem migrar para a categoria das DSLR’s High End. A principal diferença entre essas duas categorias, é, mais uma vez, o sensor. As Mid-Range, assim como as de entrada, possuem o sensor chamado “sensor com fator de corte”, ou seja, menor do que o Full Frame presente nas High-End. A diferença de preços entre uma Mid-Range e uma High-End, via de regra, é gritante. Compram-se carros com o dinheiro necessário para uma High-End!

Um aspecto importante a se considerar é a compatibilidade das lentes. As Mid-Range, assim como as de entrada, tem uma vantagem sobre as High-End: possuem maior quantidade de lentes compatíveis. Como as High-End possuem um sensor maior, a lente deve ter um tamanho compatível para que a imagem se projete por toda a sua extensão.

Há também uma outra vantagem das DSLR’s Mid-Range e de entrada em comparação com as DSRL’s High-End: o fator de corte do sensor é benéfico para quem fotografa com grandes distâncias focais, ou seja, com teleobjetivas. Se você encaixar uma lente 50mm em uma câmera full frame e encaixar a mesma lente em uma câmera com sensor APS-C e fotografar a mesma cena, você vai notar que na APS-C a imagem aparecerá mais aproximada, mais precisamente, se comportando de maneira muito próxima de uma lente de 75mm. Isso porque existe o fator de corte, que é um fator multiplicador, por volta de 1,5x / 1,6x, dependendo do modelo. Então, uma lente 50mm em uma câmera com fator de corte 1,5x, comporta-se como uma 75mm em uma câmera full frame (50 x 1,5 = 75). Agora imagine se você utiliza uma lente 300mm (muito comuns para esportes e vida selvagem) em uma câmera com fator de corte. Ela se torna uma 450mm aproximando muito mais os objetos distantes!

 

DSLR’s High-End

Câmera digital DSLR High-End Nikon D5

Nikon D5

Aqui temos as câmeras com sensor full frame top de linha. Isso quer dizer que você vai conseguir resultados muito superiores em situações de pouca luz, em geral com valores de ISO maiores que às das categorias inferiores. Há também uma melhor performance do ruído em ISO alto, que é menos proeminente, e por vezes, até mesmo mais elegante.

Também é possível fazer múltiplos disparos com maior velocidade. O que é uma grande vantagem para fotografar ação e objetos em movimento.

Uma vantagem em relação às câmeras que possuem sensor com fator de corte é que em distâncias focais pequenas, como nas lentes grande-angulares, não existe fator multiplicador, ou seja, uma lente 20mm não se torna uma 30mm, o que é indesejável, já que se perde um ângulo considerável do campo de visão.

As High-End são câmeras enormes e pesadas. É praticamente imprescindível fazer seguro do equipamento para evitar dores de cabeça. Entretanto, são o que tem de melhor em qualidade de imagem e recursos tecnológicos.

 

 

E então? já escolheu qual categoria de câmera se enquadra melhor aos seus objetivos? Então veja na parte II dessa sequência de artigos, os demais parâmetros para tomada de decisão de compra de câmeras digitais.

You Might Also Like

1 Comment

  • Reply Alberto Santos Do nascimento 23/05/2017 at 11:51

    Bom dia! Eu ‘alberto’ estou gostando das aulas pois nós fazemos parte de um trabalho digital na igreja, o problema e que nos usamos mais o nosso celular, pois o trabalho e mais de rua, é uma câmera dessas logo chamaria atenção, usamos sim só quando o retrabalho e em um lugar restrito, ou viável, mais estou gostando das aulas.

  • Leave a Reply