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Entendendo as diferenças entre câmeras Mirrorless e DSLRs

04/07/2019
Câmeras mirrorless ou dslr, qual é melhor?

As câmeras SLR estão presentes na fotografia amadora e profissional há mais de um século e possuem um ecossistema de lentes e acessórios absolutamente fantástico. Nas últimas décadas, no entanto, uma outra categoria de câmeras vem ganhando cada vez mais destaque: as Mirrorless.

Mas entre os dois tipos, qual é o melhor? Existe uma batalha entre DSLRs e Mirrorless? Qual dos dois sistemas é melhor para as minhas necessidades?

Bom, para responder a essas perguntas é necessário analisar diversos aspectos do design e das tecnologias que acompanham ambas as categorias de câmeras.

Confira abaixo um resumão do que é mais importante para te ajudar a compreender melhor esse universo.

O que é uma DSLR?

A sigla, em inglês, provém de Single Lens Reflex, algo como “reflexo de uma única lente”. Em uma explicação simplificada, o design de uma câmera SRL inclui um conjunto contendo um espelho e um prisma, em que a cena que vemos durante o enquadramento chega aos nossos olhos por meio do reflexo da luz que atravessa a lente no espelho (que fica logo atrás da lente) em um prisma (acima do espelho, na parte superior da câmera). O prisma permite o rebatimento da imagem refletida fazendo com que ela chegue no ângulo certo para visualização no viewfinder (o lugarzinho da câmera em que encaixamos nosso olho para enquadrar a cena).

Esquema de uma SLR. Fonte: Cburnett.

Ah! O “D” em DSLR nada mais é do que “digital”, já que as câmeras do tipo SLR foram inventadas em 1861 e produzidas as primeiras unidades em 1884, ou seja, esse design existe há mais de um século, porém a tecnologia digital que substituiu o filme por um sensor eletrônico foi tomando conta apenas durante os anos 2000.

Agora talvez você esteja se perguntando: se tem um espelho no meio entre o sensor e a lente, como a câmera registra as imagens no sensor?

Bem, basicamente no momento do disparo o espelho é levantado mecanicamente. Repare que nesse momento você não consegue enxergar a cena no viewfinder por uma fração de segundos.

Esse conjunto de elementos físicos e mecânicos específicos das câmeras DSLR são responsáveis pelo tamanho avantajado delas e tem impacto em diversos elementos como no design das objetivas, no sistema de autofoco, entre outras coisas.

Câmeras Mirrorless

Foto: insung yoon

A principal diferença entre uma DSLR e uma Mirrorless é que, como o nome sugere, as últimas não possuem espelho (Mirror = espelho, Less = sem).

Sem espelho, elas também, logicamente, não possuem o pentaprisma, o que resulta em um design mais compacto e leve.

Daí a recente preferência de muitos fotógrafos de eventos e viagens por câmeras do tipo Mirrorless. Menos peso nas costas = menos dores no fim do expediente, por consequência, menos problemas de saúde ao longo da carreira.

Um detalhe importante: quando falamos em câmeras do tipo Mirrorless, estamos nos referindo, na realidade, a câmeras que tem essa construção, mas que ao mesmo tempo permitem a troca de lentes (Mirrorless Interchangeable-Lens Camera, ou “câmeras sem espelho de lentes intercambiáveis”, em tradução livre).

Digo isso porque há câmeras sem espelho existentes desde os anos 90 (lembra-se daquelas populares câmeras compactas que todo mundo carregava na bolsa antes da existência dos smartphones?) que também podem ser consideradas mirrorless no seu design, porém, quando usado o nome mirrorless em artigos, palestras, cursos e oficinas, não são sobre essas câmeras que queremos conversar.

Consequência do design sem espelho

Nas câmeras Mirrorless, o viewfiender normalmente é digital, ou seja, a imagem que ali chega vem diretamente do sensor e não da lente, algo como um vídeo de pré-visualização da cena.

Se você já usou uma câmera do tipo Bridge (aquelas câmeras que tem corpinho de DSLR, mas que não trocam lentes) ou se você já fotografou em modo Live View (pelo painel LCD da parte traseira da câmera), você já tem uma boa noção de como é fotografar com viewfinder digital.

Além disso, a inexistência do espelho reduz consideravelmente a distância entre o sensor e a lente. Esse fato reduz não apenas a profundidade da câmera, mas também proporciona a construção de objetivas de tamanho e peso reduzidos em comparação às objetivas de DSLRs.

E é importante frisar: por peso reduzido entenda que há objetivas com a metade e até mesmo um terço do peso de uma objetiva para DSLR equivalente.

Autofoco em câmeras Mirrorless

Durante muitos anos as DSLRs desempenharam um papel de superioridade em autofoco em virtude de utilizar um sistema composto por duas tecnologias:

Detecção de contraste (autofoco mais lento), em que a focagem automática é feita internamente no sensor. Apesar de apresentar um desempenho primoroso em termos de qualidade da focagem, em contrapartida o movimento de análise de objeto de primeiro plano e de fundo é lento. Se você já fotografou em Live View, sabe do que estou falando. A câmera parece “patinar” um pouco para navegar entre os diferentes planos focais.

Detecção de fase (autofoco mais rápido), em que câmera realiza um trabalho conjunto com um segundo espelho refletindo a luz para um segundo sensor. A imagem divide-se em duas e a câmera analisa o alinhamento delas. Caso estejam perfeitamente alinhadas, o foco fica cravado. Quando focamos utilizando o viewfinder com o painel LCD desligado é esse sistema que entra em ação, por isso o autofoco ali é extremamente mais veloz do que em Live View.

É justamente a detecção de fase que permitiu um desempenho superior do autofoco especialmente para acompanhar objetos em movimento. Daí uma das razões da obsessão de fotógrafos de esporte por DSLRs topo de linha que custam o preço de um carro.

O problema desse sistema é que o espelho que reflete a luz para o segundo sensor (que fica na base da câmera) também sofre as consequências do movimento mecânico de levantar e abaixar durante o disparo, pois esse segundo espelho fica acoplado naquele espelho que falamos anteriormente, o que reflete a luz diretamente da lente para o pentaprisma, chegando no viewfinder para podemos fazer o enquadramento.

Assim, embora a combinação desses dois modos tenha durante muitos anos proporcionado o que havia de melhor em desempenho de autofoco, ainda assim havia muito espaço para aprimoramentos, principalmente quando o assunto é vídeo, já que o espelho permanentemente levantado impõe limitações no processo de autofoco.

Com a popularização das DSLRs como câmera de foto e, ao mesmo tempo, de vídeo, foi um movimento natural da indústria buscar por novas soluções de autofoco, o que teve um impulsionamento forte com o advento das câmeras Mirrorless, já que sem o espelho, invariavelmente elas precisariam resolver tecnologicamente a questão do autofoco rápido e preciso para fotos e vídeos. Contar apenas com detecção de contraste foi um grande problema para os primeiros modelos de câmeras mirrorless.

A solução encontrada pela indústria foi, de certa forma, “embutir” um tipo de detector de fase diretamente no sensor da câmera, um sistema híbrido.

Seu desempenho, embora de início não tenha sido o mesmo de um detector de fase mecânico e dedicado, ao longo do desenvolvimento de novos modelos e soluções tecnológicas tanto de hardware, quanto de software, foi aumentando ao ponto de se equiparar e até mesmo de superar DSLRs tradicionais.

As próprias DSLRs também tiveram seus sistemas de autofoco aprimorados, em razão dessas demandas de mercado.

Imagine a seguinte situação: de repente milhões de youtubers no mundo inteiro estão fazendo seus vídeos sozinhos em suas casas, dependendo inteiramente do desempenho de autofoco de suas DSLRs, sem poder contar com alguém dedicado só fazendo o foco manualmente.

Um exemplo notório desse processo de evolução foi a eliminação total do sistema de detecção de contraste na Canon EOS 70D, um modelo que ficou extremamente popular com videomakers em razão da implementação de um novo sistema de autofoco chamado de Dual Pixel, presente em diversos modelos atuais, sobretudo nos modelos Mirrorless da Canon.

Um exemplo notório desse processo de evolução foi a eliminação total do sistema de detecção de contraste na Canon EOS 70D, um modelo que ficou extremamente popular com videomakers em razão da implementação de um novo sistema de autofoco chamado de Dual Pixel, presente em diversos modelos atuais, sobretudo nos modelos Mirrorless da Canon.

No sistema Dual Pixel é como se cada pixel no sensor fotográfico se transformasse em um detector de fase.

Outras soluções foram criadas por marcas como a Panasonic e a sua DFD (Depth from Defocus, ou Profundidade da Desfocagem). Implementado inicialmente na Lumix GH4, outro modelo muito popular entre os videomakers, esse sistema utiliza um banco de dados das lentes da Panasonic, para, por meio de software, utilizar essas informações sobre como as lentes se comportam em relação à luz e alimentar o sensor com os dados necessários para que o antigo sistema de detecção de contraste tenha um desempenho extremamente superior.

Outros sistemas também estão aprimorando seus softwares para conseguir interpretar o que está sendo focado na cena: como um olho ou um rosto, por exemplo, fazendo o acompanhamento do movimento de acordo com essa interpretação do objeto e não apenas de luz e contraste.

Em resumo: a ausência do sistema de detecção de fase mecânico nas câmeras mirrorless em conjunto com a necessidade de mercado de DSLRs com capacidades de autofoco superiores, sobretudo para vídeos, fez com que todo o ecossistema de câmeras digitais se beneficiasse do desenvolvimento de novas tecnologias de autofoco mais rápidas e precisas.

Ao que tudo indica, ainda há um campo bastante grande a ser explorado no desenvolvimento de novas soluções para o autofoco.

Estabilização

Além de forçar o desenvolvimento de melhores tecnologias de autofoco, as mirrorless também proporcionaram o desenvolvimento de novos sistemas de estabilização de imagem.

Nas DSLRs, já estamos acostumados com sistemas de estabilização embutidos nas lentes, o que aumenta consideravelmente o custo das objetivas, pois o que um sistema de estabilização faz, resumidamente, é compensar a vibração da câmera sem tripé com movimentos mecânicos de um conjunto complexo de elementos internos da lente.

A novidade trazida pelas mirrorless foi embutir um sistema de estabilização diretamente na câmera, em que a movimentação mecânica é feita no próprio sensor.

Câmeras Mirrorless tem qualidade de imagem melhor do que DSLRs?

Se for feita uma generalização a resposta é curta e grossa: não, mas também não é pior. A verdade é que existem inúmeros modelos de câmeras mirrorless, de praticamente todas as marcas de câmeras, dos mais variados preços, com os mais variados conjuntos de tecnologias.

Extremamente importante também: há câmeras mirrorless de variados tamanhos de sensores, de compactos até grandes formatos. Lembrando que o sensor fotográfico da sua câmera é talvez o principal elemento de qualidade de imagem, junto com as lentes que você usa.

Sendo assim jamais será justo generalizar e dizer que mirrorless tem mais qualidade de imagem do que DSLRs. O certo é comparar modelos específicos de câmeras e avaliar seus atributos e seus desempenhos nas mais variadas situações fotográficas.

Algumas vantagens das DSLRs

Tempo de inicialização

De modo geral, DSLRs ligam e ficam prontas para disparo quase instantaneamente, enquanto as mirrorless podem levar alguns segundos após pressionado o botão de liga/desliga. A tendência, no entanto, é que isso deixe de ser um problema no futuro. De todo modo, ainda vale ficar de olho nesse tempo de inicialização para não se frustar e perder fotos importantes.

Bateria

Generalizando, as baterias ainda duram mais nas DSLRs, possibilitando mais disparos com uma carga.

Preço

Aqui vale muita pesquisa e comparação, porém os sistemas mirrorless são mais novos e, como toda novidade, o preço de aquisição de lentes e câmeras tende a ser mais elevado de modo geral.

Objetivas

Também em razão de ser um sistema mais antigo, há muito mais lentes desenvolvidas para DSLRs e um mercado de usadas gigantesco.

É muito importante levar em consideração que é possível utilizar lentes de DSLR em Mirrorless por meio de adaptadores. Mas é necessário precaução antes de confiar cegamente nessa possibilidade: em muitos casos perdem-se recursos importantíssimos das objetivas, como o autofoco, por exemplo.

Conclusões

Antes de escolher por qual sistema optar é preciso avaliar qual será o seu uso principal. Grosso modo, as câmeras mirrorless tem sido mais escolhidas por quem trabalha com vídeo devido ao forte desenvolvimento de capacidades de autofoco e pela alta qualidade dos painéis LCD.

Por outro lado, o valor elevado pode ser uma barreira, fazendo com que o fotógrafo que irá utilizar para foto e vídeo acabe optando por algum modelo de DSLR que apresente um bom custo/benefício em ambas as funções.

Vale ressaltar que a busca por qualidade de imagem está profundamente ligada ao tamanho físico do sensor. Quanto maior o sensor, maior a qualidade geral de imagem e também maior o preço da câmera. Assim, você até pode encontrar modelos de câmeras mirrorless com custos que cabem no seu bolso, mas colocando as especificações no papel, talvez você prefira uma DSLR de mesmo custo, mas que possua um sensor maior, seja APS-C ou Full Frame. Há muitos modelos de mirrorless com sensores de tamanhos inferiores ao APS-C, portanto é necessário avaliar cuidadosamente esse quesito.

O fator peso sem sombra de dúvidas deve ser levado em consideração para quem trabalha por longas horas com a câmera a tira colo, um ponto que conta a favor das mirrorless, sobretudo por possibilitarem a redução do peso e das dimensões das objetivas também.

Por outro lado, há insatisfação de diversos usuários com relação à ergonomia de certos modelos de câmeras mirrorless. Por serem menores, em alguns casos o ajuste na mão não é tão agradável em comparação com as DSLRs.

Por fim, deve-se também levar em consideração as objetivas que você ama e que são importantes para seu trabalho, pois cada sistema tem seu conjunto de opções disponíveis e o uso com adaptadores pode impor restrições inaceitáveis em alguns casos.

Resumindo: não existe sistema melhor ou pior, mas existem modelos de câmeras, Mirrorless ou DSLR, mais adequados às suas necessidades e ao seu orçamento. Por enquanto é justo avaliar as duas opções com o mesmo carinho.

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