Inspiração

Entrevista com a fotógrafa infantil Júlia Gehlen

10/07/2018
Entrevista com a fotógrafa infantil Júlia Gehlen

Para começar um quadro inédito de entrevistas aqui no f/otografia todo dia, teremos um bate papo com a fotógrafa Júlia Gehlen, que mesmo com apenas 21 anos de idade e sem cursos técnicos formais, vem produzindo trabalhos impecáveis no nicho da fotografia infantil. Acredito que essa entrevista sirva de inspiração para iniciantes e entusiastas em busca de resultados primorosos, como os da Júlia.

Julia Gehlen fotografia infantil

Júlia, antes de mais nada, gostaria que você se apresentasse. Quem é você, de onde você é, quantos anos você tem?

Vamos lá! Me chamo Júlia, tenho 21 anos. Sou gaúcha de Três Passos, uma cidade no noroeste do Rio Grande do Sul. Atualmente moro em São Paulo capital, mas (quase!) sempre estou viajando pelo Sul. Cheguei em São Paulo em 2015 cheia de planos e objetivos que estou colocando em prática desde então. Além disso tudo, curso Relações Internacionais e, claro, sou fotógrafa infantil.

Julia Gehlen fotografia infantil

E como você aprendeu fotografia, Júlia? De maneira autodidata ou com cursos técnicos?

Comecei a fotografar desde pequena como uma brincadeira e foi dessa forma que aprendi tudo o que sei hoje. Por volta de 2004 ganhei uma câmera compacta da Sony, que foi na época a minha diversão favorita. Tudo era fotografado (tudo mesmo!). Com ela aprendi a usar várias funções da câmera. Anos mais tarde, tive contato com uma Powershoot da Canon e aprendi a utilizar os modos da câmera, aprendi que era possível trocar lentes e vários detalhes da fotografia. Meu aprendizado foi sempre guiado por vários livros do assunto, principalmente o manual de fotografia da National Geographic. Nunca fiz nenhum tipo de curso, sempre procurei o conhecimento por iniciativa própria.

Julia Gehlen fotografia infantil

Excelente, Júlia! Eu acredito que profissionais como você, com esse histórico de aprender na raça e com paixão, conseguindo entregar imagens nesse nível de qualidade aos 21 anos, são importantíssimos para incentivar aquelas pessoas que tem o sonho de trabalhar com fotografia, mas que por algum motivo acabam deixando o sonho de lado. Também achei interessante que durante o seu processo de aprendizado você utilizou uma compacta e uma Powershot, câmeras de categorias que estão muito aquém da qualidade das profissionais. Essa questão da câmera é outro ponto que afasta muita gente da fotografia em virtude da crença limitante de que não é possível começar a aprender sem a posse de uma câmera de ponta. Nesse sentido, que conselhos você daria para quem está começando, baseados em suas experiências?

Duas palavras expressam o que eu tenho para aconselhar quem está começando na fotografia: determinação e respeito. Determinação quanto aos resultados. Determinação em aprender. No início, a maioria das minhas fotos saíam tremidas porque eu não era capaz de ajustar a velocidade da câmera. E desfocadas também. Mas isso não me impediu. Fui atrás, busquei o conhecimento. Pratiquei muito. O processo todo é árduo, mas com muita determinação é possível chegar aonde se deseja e ir muito além do objetivo. Vejo muitas pessoas desistindo da área justamente porque não alcançam os resultados desejados logo de início.

Quanto ao equipamento, costumo sempre dizer que ele é sim importante, mas o essencial é a capacidade de usá-lo, de compor a foto, de pensar no que se está fazendo. A qualidade das minhas primeiras fotos é incomparável com as de câmeras mais recentes, mas mesmo assim percebe-se que cada uma tem a sua respectiva essência.

Meu segundo conselho é o respeito. Aprender a respeitar o que está sendo fotografado é uma tarefa que levei anos para conseguir fazer integralmente. Não é só apertar o botão/compor a foto/fazer os ajustes. É muito mais que isso. É dar espaço e interagir com quem ou aquilo que está sendo fotografado. É compartilhar ideias, aprender coisas novas, criar uma atmosfera. Afinal, o que está sendo eternizado é um momento, e nada melhor do que captar a real essência dele.

Julia Gehlen fotografia infantil

Júlia, o universo da fotografia digital tem produzido equipamentos e acessórios que cada vez mais ultrapassam os limites e quebram as barreiras de criação de tempos anteriores. Isso faz com que os amantes e profissionais dessa área desenvolvam uma certa obsessão por marcas e modelos de câmeras e lentes. Sendo assim, acredito que seja de forte interesse dos leitores saber com que equipamentos e acessórios você produz suas imagens, como você trata a luz, como você realiza suas edições. Você pode nos contar um pouquinho sobre os seus equipamentos?

Meu equipamento principal é uma Nikon D750. Tenho como backup uma D7200 também. Em termos de lentes, minhas favoritas são a 50mm, a 85mm e a 24-70mm. Fora isso, sempre carrego cartões de memória e baterias extras. Ah, um rebatedor sempre me acompanha.

Meu processo de edição transita entre o Lightroom e o Photoshop. Inicio o tratamento pelo primeiro e a foto é finalizada no segundo, até que eu atinja a tonalidade desejada e que a edição complete toda a história que tento contar com meus retratos.

Julia Gehlen fotografia infantil

Em seu site, na seção Nós, vemos que você possui uma parceira em seu negócio. Conta pra gente um pouquinho sobre a Luana e sobre a dinâmica do seu trabalho em dupla.

Eu e Luana trabalhamos juntas na JL. Conheci ela em 2010 por causa da fotografia e desde então nossa amizade só cresceu. Em 2016 tivemos a ideia de criar algo relacionado com a fotografia e deu super certo. Dividimos as tarefas, eu faço toda a parte fotográfica e a Luana faz toda a parte da edição. Temos uma dinâmica muito boa, nos entendemos super bem e o trabalho sempre flui. Todavia, moramos super longe, por isso digo que nosso trabalho é à distância. Luana mora em Belém-PA e eu estou em SP. Mas nada impede o desenvolvimento do nosso trabalho.

Julia Gehlen fotografia infantil

Muito interessante essa parceria à distância com a divisão das etapas. Ela deixa bem explícita a maneira como fotografias são “produzidas” e não simplesmente “tiradas” e também revela como fotógrafos iniciantes podem encontrar maneiras diferentes de gerir seus negócios e estabelecer processos de produção mais eficientes em suas empresas. Agora voltando um pouquinho para o seu nicho de atuação, conta um pouquinho sobre como é trabalhar especificamente com crianças. Quais são os maiores desafios que você enxerga para trabalhar com esse público? E que tipo de habilidades você considera primordiais para atuar nesse nicho?

Trabalhar com crianças é inexplicável. Cada ensaio é algo totalmente novo. Cada criança tem suas características e toda vez consigo ser surpreendida e aprender novas coisas. Acredito que algo marcante enquanto fotografo é procurar enxergar as adversidades, digamos assim, como desafios a serem enfrentados. Nem sempre a criança está disposta a se concentrar e fazer o que proponho, por exemplo, mas sempre tento entender o lado dos pequenos e com muita paciência e dedicação consigo fazer as fotos. Prezo muito pela minha própria compreensão de que o ensaio precisa ser, acima de tudo, um espaço que dou para a criança ser quem ela quer ser e isso funciona. Passo mais da metade do tempo não com a câmera no pescoço e sim com ela ao lado, fazendo gracinhas e muita brincadeira. Diálogo é a chave de todo o processo, junto com a paciência, que é a habilidade primordial na fotografia infantil.

Julia Gehlen fotografia infantil

Júlia, para finalizar, onde você busca inspiração para a estética de suas fotos e quais seus fotógrafos preferidos?

Acredito que minhas maiores inspirações são as próprias crianças. Durante o ensaio, vou descobrindo tantas coisas sobre elas e coisas tão fascinantes que a necessidade de mostrar isso de alguma forma nas fotos fica muito evidente. Cada descoberta ou cada diálogo me inspira de alguma forma a compor a foto baseada em quem a criança é. Na edição, procuramos ressaltar tudo isso, mantendo sempre a atenção na criança. Eu e Luana temos um gosto muito semelhante quanto às cores e a estética de foto. Apenas alinhamos isso tudo e criamos nosso próprio tipo de edição, depois de muito tempo e esforço, para ressaltar as características de quem fotografo.

Tenho muitos fotógrafos favoritos, mas selecionei dois que possuem um significado muito grande para mim: Annie Manning e Annie Leibovitz. A primeira fez eu me encontrar na fotografia anos atrás e entender esse universo de fotografia infantil. A segunda foi a primeira fotógrafa que tive contato através de um livro que ganhei de presente. Passava muito tempo vendo os retratos que ela fazia, lendo sobre sua história e pesquisando ainda mais sobre sua carreira. Ambas as Annies foram e continuam sendo essenciais e fontes infinitas de inspiração para o que faço na fotografia.Julia Gehlen fotografia infantil

Para saber mais sobre a Júlia, visite seu site e siga-a nas redes sociais:

Website:
http://jlgehlenfoto.com

Facebook:
https://www.facebook.com/jlgehlenfoto

Instagram:
@jlgehlenfoto

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4 Comments

  • Reply Júlia Gehlen 10/07/2018 at 18:13

    Sensacional! Adorei participar disso tudo!

    • Reply Moysés Lavagnoli 10/07/2018 at 18:55

      Eu que agradeço sua participação aqui no f/otografia todo dia, Júlia! Que vocês sirvam de inspiração pra muita gente que está começando, especialmente jovens como vocês! Um abraço!

  • Reply Luana Nunes 10/07/2018 at 18:19

    Gratidão por tudo!

    • Reply Moysés Lavagnoli 10/07/2018 at 18:55

      Parabéns pelo excelente trabalho de pós-produção, Luana! Muito sucesso para vocês!

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