Dicas, Equipamentos

Para que servem o Active D-Lighting da Nikon e o Auto Lighting Optimizer da Canon?

12/08/2016
Como usar o Active D-Lighting e o Auto Lighting Optimizer

Existe uma lacuna considerável entre a capacidade dos nossos olhos de lidar com ambientes em que há grande constraste de luminosidade entre as áreas de luz e sombra e a capacidade que os sensores das câmeras têm de registrar esse contraste.

Se você já fotografou alguma cena dentro de sua casa com uma janela ao fundo durante o dia, deve ter percebido que a parte de dentro está corretamente exposta e a área da janela está completamente brilhante, sem detalhes, estourada. Ou seja, virou uma grande massa branca.

Isso acontece porque os sensores das câmeras não conseguem capturar todos os detalhes das áreas de sombra e luz quando o contraste de luminosidade entre essas áreas é muito grande. Isso tem a ver com o que em fotografia chama-se alcance dinâmico. O olho humano, por sua vez, tem uma capacidade bem superior de lidar com isso e conseguimos enxergar essas cenas sem problema algum.

Alcance dinâmico alto - interior e janela

Em função disso, fabricantes de câmeras e fotógrafos têm que encontrar soluções para que seja possível capturar essas cenas de maneira ideal, sem ter que abrir mão de apresentar a iluminação correta em uma das áreas. Nessas situações de alto contraste de luminância em uma mesma cena, se fizermos a medição da luz a partir das áreas de sombra, as áreas de altas luzes ficarão sem detalhes, estouradas. Se, por outro lado, medirmos a luz a partir das altas luzes, as áreas de sombra ficarão escuras demais e sem detalhes.

O Active D-Lighting (ADL) e o Auto Lighting Optimizer (ALO) são recursos de programação embutidos nas câmeras pela Nikon e pela Canon, respectivamente, para tentar amenizar esse problema.

Quando utilizar o ADL e o ALO?

Antes de mais nada, esses recursos podem ser utilizados quando você fotografa tanto em JPG quanto em RAW. Porém, eu particularmente não vejo muito sentido em utilizá-los ao fotografar em RAW.

Digo isso porque quando se fotografa em RAW temos sempre o arquivo cru, sem a aplicação de nenhum tipo de processamento de imagem interno da câmera. É por isso que chamam o RAW de negativo digital. Ele é a fotografia não processada, ainda não manipulada, crua. Assim, o processamento que o ADL e o ALO irão fazer no seu arquivo RAW, você mesmo pode fazer com muito mais controle e precisão na pós-produção.

Além disso, apenas os softwares de edição de imagem proprietários dessas fabricantes são capazes de ler e utilizar esses processamentos de ADL e ALO nos arquivos RAW. O Lightroom, por exemplo, não irá identificar esses ajustes e você não verá diferença nenhuma.

Há um detalhe, no entanto, que pode causar confusão. Ao visualizar no painel LCD de sua câmera uma fotografia em RAW feita com o ADL ou o ALO ligado, você verá uma pré-visualização desse arquivo com os efeitos aplicados. Se você, em seguida, abrir o mesmo arquivo RAW no Lightroom, verá que a foto está diferente da que você visualizou no LCD da câmera, sem processamento nenhum, ou seja, sem contar com os benefícios do ADL e do ALO.

Não precisa quebrar a cabeça pra descobrir o que deu errado. É assim mesmo que funciona porque o painel LCD está te mostrando uma espécie de JPG processado a partir do RAW que ele criou para poder te mostrar o resultado do ADL/ALO. Mas não se confunda, esse “JPG” é apenas de uso interno da câmera para mostrar essa pré-visualização rápida. Isso não quer dizer que ela está gravando JPGs em conjunto com os arquivos RAW em seu cartão de memória. Essa opção existe na grande maioria das câmeras, mas só acontece se você habilitá-la.

O que o Active D-Lighting e o Auto Lighting Optimizer fazem?

Basicamente quanto ativados, a câmera irá aplicar um processamento de imagem buscando resgatar detalhes perdidos nas áreas de sombra e altas luzes.

Para isso, no momento da captura, a câmera irá ajustar o valor do tempo de exposição, para que a captura não estoure os detalhes das altas luzes. Como você já deve ter imaginado, ela basicamente terá que subexpor um pouquinho, o necessário para captar os detalhes em um céu muito claro, por exemplo.

Na sequência, ela também irá recuperar os detalhes nas sombras, respeitando os limites do alcance dinâmico do sensor. É feito dessa forma porque é muito mais difícil resgatar detalhes nas áreas de altas luzes quando ela não foi devidamente exposta do que nas áreas de sombra.

Assim, o ADL e o ALO utilizam essencialmente a mesma técnica que nós utilizamos manualmente como uma das soluções possíveis para essas situações. É o clássico “expor para a direita”. Uma técnica, que você pode conferir nesse artigo, que cuida para que não se percam detalhes nas altas luzes. Em seguida, no momento da pós-produção em software, utiliza-se os recursos do Lightroom ou do Photoshop para iluminar as áreas de sombra. Mas com o ADL e o ALO habilitados, a própria câmera já fica programada para fazer isso por você.

Note que o ADL/ALO pode ser extremamente útil quando fotografamos em JPG. E mais útil ainda quando precisamos de uma foto pronta imediatamente, sem pós-processamento.

Em câmeras de entrada, você só consegue habilitar ou desabilitar o recurso. Enquanto nas mais avançadas é possível escolher também a intensidade em diferentes níveis. As câmeras mais avançadas permitem esse controle porque

Vale lembrar que não faz sentido utilizar esse recurso se a medição de luz é feita em modo pontual ou parcial, afinal, você utiliza esses modos para acertar a exposição com precisão em uma área específica da imagem, em geral a que contém o seu assunto principal.

Assim, o mais correto é utilizar o ADL e o ALO em conjunto com a medição matricial, pois é ela que leva em consideração a cena (ou o quadro) como um todo para calcular a exposição balanceada. Desse modo, a fotometria matricial consegue identificar as áreas de sombra e as áreas de luz e compreender o contraste entre elas para, na sequência, calcular a compensação necessária.

Active D-Lighting Desligado

Câmera Nikon D7200. Active D-Lighting desligado

Active D-Lighting Low

Active D-Lighting Low

Active D-Lighting Normal

Active D-Lighting Normal

Active D-Lighting High

Active D-Lighting High

Active D-Lighting Extrahigh

Active D-Lighting Extrahigh

Em uma primeira olhada talvez você só consiga notar a diferença entre o ADL/ALO desligado ou ligado, independentemente da intensidade. Mas olhe novamente com atenção aos detalhes que vão se revelando nas áreas iluminadas e nas sombras conforme a intensidade do recurso é aumentada. Veja com atenção o azul do céu como vai ficando mais rico com o aumento de intensidade e também como detalhes vão surgindo na parte clara das ondas. Note como nas sombras há também uma sutil elevação da iluminação.

Devo manter o ADL/ALO sempre ligado?

Depende. Eu particularmente deixo sempre desligado porque fotografo em RAW 99% do tempo e utilizo o Lightroom + Photoshop para realizar a pós-produção das minhas fotos. Também prefiro fazer uma escolha mais criteriosa desses ajustes. De qualquer forma eu não vejo problema nenhum em utilizá-los quando fotografo em JPG, pois o resultado costuma ser bastante satisfatório. Em alguns casos, como o exemplo acima, usar o ADL/ALO chega a ser indispensável!

Por outro lado, desativar o ADL e o ALO ao fotografar em RAW exige que você esteja sempre atento à exposição, com o dobro de atenção às altas luzes. Vale usar o histograma da câmera pra ver se não tem picos na extrema direita, revelando perda total de detalhes em regiões muito claras, ou também usar aquele recurso da pré-visualização que mostra as áreas sem detalhes piscando em vermelho no LCD da câmera. Em caso de problemas, deve-se então, compensar a exposição e refazer a foto.

Mas aí talvez você possa contra-argumentar: mas e se eu não puder refazer a foto? Bom, eis mais uma situação em que o ADL e o ALO vem bem a calhar por funcionar quase como um sistema de segurança contra erros.

Ao escolher quando usar ou não o ADL/ALO, deve-se levar em consideração também o seu objetivo criativo com a foto. Por compactar a distância de luminosidade entre as áreas de luz e sombra, o ADL/ALO acaba diminuindo o contraste geral da imagem. Há uma infinidade de situações em que o nosso objetivo é justamente fortalecer esse contraste, evitando que a fotografia fique “lavada”. O uso do ADL e do ALO, para essas situações, não irá ajudar muito.

Além disso, como o recurso ilumina as áreas de sombra e resgata os detalhes das áreas de luz, dois efeitos colaterais podem ocorrer: presença de ruído nas sombras e efeito fantasma (halo) nas bordas limítrofes de objetos escuros sobre áreas claras.

Volta e meia recebo algumas fotografias com ISO baixo, em torno de 200-400, de boas câmeras, para utilizar em projetos de design gráfico, que quando observo atentamente, apresentam uma quantidade de ruído que eu não esperaria dessas câmeras com esses valores de ISO. Precisaria fazer uma pesquisa com mais rigor, mas eu chuto que esses casos ocorreram porque o ADL/ALO estava ligado.

Outras soluções possíveis para situações de alto contraste entre áreas de luz e sombra.

Quando a parte terrestre de uma paisagem é mais escura que o céu, normalmente o recurso utilizado é escurecer o céu com um filtro CPL ou ND. Existem filtros graduados (com degradê) para que você consiga escurecer somente o céu.

Outra opção também é fazer o famoso HDR. Talvez você já esteja acostumado com a opção HDR da sua câmera, pois até mesmo smartphones modernos já vêm com esse recurso. Mas o HDR de raíz mesmo é feito em duas etapas. A primeira é a captura de 2 ou mais fotos, da mesma cena, com o mesmo enquadramento, utilizando-se preferencialmente um tripé, sendo que cada uma dessas capturas deve conter uma exposição diferente. Assim, para o caso de apenas 2 fotos, você terá uma que expõe corretamente as sombras, outra que expõe corretamente as luzes. A segunda etapa é o pós-processamento dessas imagens. O software irá combinar as múltiplas exposições aproveitando as áreas corretamente expostas de cada uma delas para formar uma terceira imagem final, com o melhor dos dois mundos.

 

 

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11 Comments

  • Reply Rogério lopes 22/09/2017 at 11:28

    Oi Moisés,

    Ótimo esclarecimento desta função. Parabéns pelo post!

  • Reply Odilon Jose Ratzke 02/03/2018 at 18:43

    GRATO PELAS DICAS – VALEU

  • Reply Claudio Carvalho 08/04/2018 at 19:30

    Obrigado, Moisés! Pelo artigo e pelo site! Excelentes!

  • Reply Luiz Gomes 09/07/2018 at 18:49

    Boa Noite ! Se eu manter o ADL ligado quando eu apertar o obturador vai demorar mais para a foto ser registrada,(tipo velocidade bem baixa)e pode sair duplicada ? (parecendo o fantasma do assunto) comprei uma d7200 nikon, tirei fotos sempre em M e outro dia ficou assim ,tem algo a ver ? ou pode ser outro problema ? Tiro a foto e custa para dar o clic de feita, comprei faz 30 dias ? obrigado

    • Reply Moysés Lavagnoli 09/07/2018 at 19:07

      Oi Luiz. Não saberia dizer ao certo sem experimentar ao vivo seu problema. Mas eu acredito que não esteja relacionado com o ADL, não. De qualquer forma, para descobrir se o que está causando isso é mesmo o ADL, basta desliga-lo e ver se os problemas persistem. Imagino que talvez possa ter algo a ver com o autofoco, talvez tendo dificuldades de focar em pouca luz ou quando apontado para trechos de pouco contraste / massas de cor chapadas. Isso é algo que pode atrasar bastante o clique.

      • Reply Luiz Gomes 10/07/2018 at 17:37

        Oi ! Obrigado ,pela resposta ,desliguei ,talvez um outro problema .pois hoje de manha estava funcionando normal e a tarde começou o retardo,novamente . tu tens algum tutorial video,ou comentario sobre o sistema de fotos sequencia, (S,CL,CH,Q,MUP,) ? se tiver me informe o link.
        Obrigado. e $uce$$o.

  • Reply Luiz Gomes 11/07/2018 at 18:34

    Ok. Obrigado ,achei que tivesse algo a ver com o problema que sitei ,abraço e felicidades.

  • Reply Alberto videira Júnior 16/07/2018 at 09:38

    Oi Moisés, não sou fotógrafo, não sei nada, mas comprei uma crop de entrada e tô lendo, pelo que eu li quer dizer que se eu deixar o D- Lihgting ligado e fotografar em RAW é como se ele estivesse desligado na gravação)?

    • Reply Moysés Lavagnoli 16/07/2018 at 16:36

      Isso, Alberto. O RAW é um formato cru de imagens, como um negativo digital, de modo que esse tipo de tratamento na imagem deve ser feito manualmente no software de edição de sua preferência. Resgatar os “realces” no Lightroom ou no Adobe Camera Raw no Photoshop é uma maneira de atingir resultados semelhantes.

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