Dicas

Perguntas clássicas sobre fotografia respondidas por Tim Tadder

31/03/2017
entrevista com fotógrafo comercial

Minhas amigas e meus amigos, vocês estão diante de uma daquelas maravilhas que surgem na internet e que me fazem pensar: que tempos incríveis para se estar vivo!

Conseguir conselhos valiosos de profissionais de gabarito internacional como os do fotógrafo Tim Tadder – o criador da famosa série “Perucas de Água” – era algo restrito para alguns seres premiados com a oportunidade até poucos anos atrás.

Mas a internet veio, evoluiu rapidamente e a produção e a distribuição de conteúdo saiu da posse exclusiva de grandes grupos de mídia e partiu para o alcance de qualquer um com uma “câmera na mão e uma ideia na cabeça”, como na célebre frase de Glauber Rocha.

Na entrevista abaixo, realizada pelo site de RRGEDU.com, o brilhante Tim Tadder dá conselhos e emite sua opinião sobre uma série de assuntos úteis não só para fotógrafos aspirantes e profissionais, mas também para qualquer pessoa que esteja trabalhando na economia criativa.

É interessante perceber na entrevista algumas diferenças entre a indústria criativa norte-americana e a brasileira, principalmente com a figura do agente, um tipo de profissional, que em terras brasileiras, fica mais restrito a atores e atletas, principalmente os jogadores de futebol, mas que por lá também faz parte do negócio de fotógrafos, ilustradores, artesãos, criativos e artistas em geral.

A entrevista foi dividida em 18 vídeos em que Tim usa uma partida de golf em sua casa como pano de fundo bem humorado para o bate papo.

Você pode rodar playlist com os 18 vídeos (em inglês) clicando na imagem a seguir.

Ou conferir a entrevista traduzida em português logo mais abaixo nesse artigo.

entrevista com tim tadder

 

Como um fotógrafo deveria entrar em um novo mercado ou em uma nova cidade?

Eu acredito firmemente que estamos em uma economia de mercado neutra. Sinto que você pode se apresentar como estando em qualquer lugar, porque eu sinto que você pode sempre entrar em um avião, você pode sempre alugar um estúdio, você pode sempre estar em diversos lugares diferentes com facilidade e eu não tenho o tipo de negócio em que eu preciso que o cliente venha ao meu estúdio e interaja comigo. Eu acho que colocar o seu nome lá fora em um novo mercado ou qualquer mercado é o mesmo, você tem que criar um monte de trabalho foda e se você criar trabalho foda, as pessoas vão reconhecer você. Eu não faço trabalhos com produções ruins. Se o orçamento do trabalho é tão baixo que eu não posso produzi-lo, eu não quero fazer. Eu não quero trabalho ruim e eu não quero ser reconhecido por trabalhos ruins. Então eu acho que fazer o seu trabalho acontecer, não importa mais de onde você está. Esteja onde você quer estar e então faça o trabalho acontecer ali por produzir bons trabalhos.

Como um fotógrafo deveria determinar o seu preço?

Quando eu era jovem, meu pai me falou que eu deveria pegar todas as minhas despesas e dividi-las pelo número de dias que eu achava que iria trabalhar e descobrir o meu valor diário a partir dali. Provavelmente é uma ideia decente para começar e me serviu bem, mas há valores de mercado para certos tipos de trabalho. E eu sei qual é o valor do meu mercado, eu sei qual é o valor de outros top fotógrafos comerciais, de propaganda, sei qual é o valor de catálogos tradicionais, sei quais são os valores de trabalhos B2B. Existem todos os tipos de valores e eu acho que é só estar envolvido com o mercado, saber o que está acontecendo no mercado.

Fotógrafos deveriam produzir e vender fotos para bancos de imagem?

Quando você não está trabalhando para os seus clientes, você deveria simplesmente estar produzindo. Deveria estar fazendo trabalhos. Sempre, sem dúvida alguma. 100% de certeza. Você deveria vender esses trabalhos em bancos de imagem? Eu vendo. Eu licencio imagens para agências, tento não fazer trabalhos com cara de fotografia de banco de imagens, eu só tento fazer trabalhos que eu gosto e se eu conseguir vendê-las em bancos, ótimo, se não, não há problemas. Eu não tenho feito o quanto eu costumava fazer no começo da minha carreira porque eu tinha mais tempo livre, agora eu não tenho mais tanto tempo e normalmente quando eu faço testes agora, eles são um pouco mais esquisitos, ou menos vendáveis em bancos, mas por que não? Eu não sou um grande fã de microstock, não sou um grande fã de istock ou bancos de royalty free. Eu acho que esse modelo é negativo para a indústria, eu acho que você deveria fazer licenciamentos premium, mas isso é só a minha opinião.

Você pode alugar seus equipamentos para clientes para suas próprias fotos?

Quando é OK e quando não é OK cobrar uma taxa de aluguel pelo equipamento que é seu para um cliente? A minha filosofia pessoal é que eu cobro por tudo, eu cobro pelas minhas câmeras, pelas minhas luzes, pelo meu estúdio, mesmo que eu já não tenha mais um estúdio, mas eu cobraria se tivesse. Quando eu tinha um, eu cobrava. É um custo de se fazer negócios. É um custo de vendas. E eu acho que fotógrafos se dão mal quando eles detonam seus equipamentos enquanto não estão cobrindo os gastos, então eles estão lá com seus equipamentos que eles ainda não pagaram e isso vai ser um grande impacto financeiro para eles. Então para mim eu cobro por isso sempre. Eu não necessariamente cobro especificando ítem por ítem, lente por lente utilizada, eu só cobro uma taxa única pelo meu kit, uma taxa única pelo meu kit digital, uma taxa única para o meu kit de iluminação e eu cobro pelo estúdio, quando eu estava em um estúdio. Então esse tipo de coisas são comuns e eu jamais tive um cliente, nunca, nunca, nunca, que questionou isso.

Para aonde a indústria da fotografia está indo?

A indústria da fotografia mudou drasticamente desde quando eu comecei. Obviamente o que  tem virado o jogo foram as incorporações de vídeo de alta qualidade e as câmeras SLR digitais. Essa habilidade de criar muito mais conteúdo, do mesmo criativo produzir imagens estáticas e em movimento. Isso tem sido super dinâmico, eu realmente gostei de ver os fotógrafos de still se tornarem bons contadores de histórias com imagens em movimento. Eu acho que isso abriu um outro nível de criatividade. Eu acho que há mais canais para conteúdo agora do que jamais existiu. Há mais avenidas para fotógrafos publicarem seus trabalhos, há mais oportunidades para fazer dinheiro do que jamais existiram. E as pessoas falam que o impresso está morto, sim o impresso está morto, mas há um zilhão de websites e mídias sociais, há um zilhão de outros canais diferentes na TV, na internet, no Netflix. Há muito mais conteúdo que está sendo consumido que enquanto criadores de conteúdo, como isso não pode ser ótimo para o mercado? Eu acho que como criadores de conteúdo nós devemos ser extra dinâmicos para preencher essas necessidades por conteúdo.

Qual é o seu melhor conselho para um novo fotógrafo?

Faça mais fotos. O melhor conselho que eu daria para qualquer fotógrafo hoje em dia, seja novo ou não, é simplesmente produza mais. Produza, produza, produza, produza, produza. Faça mais fotos. Saia e faça. Se eu pudesse criar mais, seu eu pudesse produzir o dobro das imagens em um ano do que eu faço agora, eu provavelmente seria o dobro mais bem sucedido. Sair e fazer mais, irá abrir mais portas. Conseguir com que o telefone toque tem a ver com sair lá fora e fazer mais fotos.

Fotógrafos deveriam se especializar em um único campo?

Minha resposta é sim, absolutamente. Tem um livro que eu li recentemente que todos os fotógrafos deveriam ler e que mudou o meu portfólio recentemente depois que eu o li, chamado A Vaca Roxa, de Seth Godin. Os fundamentos desse livro são basicamente que nós viajamos pelo meio oeste e nós vemos vacas pretas e brancas, vacas pretas, o dia todo. A gente só vai passando o carro por elas. Elas apenas se misturam com a paisagem. Mas se nós víssemos uma vaca roxa, nós pisaríamos no freio para descobrir sobre aquela vaca roxa, certo? Então se você criar a vaca roxa, isso vai fazer com que você seja percebido. Se você criar imagens únicas, se você tiver um estilo único para oferecer para o mercado, você tem uma história única, você tem uma vaca roxa. Então para conseguir uma vaca roxa, você precisa  antes de mais nada ser o melhor em fazer aquela única coisa, a vaca roxa, e isso vai direcionar o tráfego para você. A parte mais difícil depois dali é encontrar outra vaca roxa. Então para mim, para dar um exemplo de uma vaca roxa, no meu trabalho, as Water Wigs (Perucas de Água, confira no vídeo abaixo) seriam uma vaca roxa. As pessoas estão dirigindo e de repente elas veem balões de água explodindo na cabeça de alguém. Uau! Isso é uma vaca roxa, certo? Isso gera um monte de tráfego, um grande volume de pessoas descobrindo. Não necessariamente indo encontrar fotos de vacas roxas, mas encontrando pessoas criativas que podem resolver problemas criativos desafiadores.

Em quais mídias sociais deveríamos investir?

Eu gosto do Instagram porque ele é muito visual e você pode consumir um monte de coisas muito rápido. Eu tenho gastado muito tempo no Instagram ultimamente. Eu parei de usar o Facebook porque eles estão controlando a exposição de uma maneira tão forte que eu tenho 100 mil seguidores no Facebook, mas quando eu compartilho algo só mil pessoas veem. Então qual é o sentido? Eu não vou pagar para amplificar que a minha audiência veja meu trabalho. Então eu parei de usar tanto o Facebook só porque eu construí uma audiência e agora eu tenho que pagar por ela. Eu não sei, eu tenho dificuldade em lidar com isso. Eu acho que o Instagram está de alguma forma fazendo a mesma coisa. Obviamente esses dois estão juntos. Eu não uso mais o 500px, porque tem lugares demais que eu publiquei meu trabalho. Eu sei que eu sempre gostei daquela plataforma, mas eu parei, eu apenas não tenho tido tempo para me dicar a ela. Então fora isso, eu não sou a pessoa mais experiente em mídias sociais e eu provavelmente deveria ser melhor. Isso é provavelmente uma fraqueza. Provavelmente eu deveria contratar alguém para me ajudar com isso, porque isso é um dos meus pontos fracos, é algo que eu não gosto de fazer e que eu não sou muito bom. Eu tenho muitas dificuldades em sair falando bem de mim mesmo e mídias sociais parecem ser assim para mim. Eu sinto que é sobre pessoas falando sobre como elas são incríveis e eu sempre fui criado para não ficar dizendo o quão incrível eu sou ou para não ficar demonstrando o quão incrível eu sou. Não me diga que você é de nível mundial e reconhecido internacionalmente, simplesmente me mostre seu trabalho de nível mundial. Me mostre suas imagens publicadas em todo o mundo, me mostre campanhas publicitárias da China, Europa, África, sabe como?

Onde você aprendeu o lado empresarial da fotografia?

Eu não poderia deixar de dizer que o meu pai tem sido meu mentor de negócios por causa da filosofia de vida dele. Apesar de eu ser muito empreendedor, eu tento trabalhar com uma mentalidade do tipo “criatividade antes, dinheiro depois”. Mas eu acho que ser inteligente financeiramente, do tipo entender coisas simples, vai te ajudar imensamente nessa indústria. Essas coisas simples são coisas como “quando eu deveria comprar equipamento versus alugar”. Um grande exemplo que eu sempre penso é: “esse tipo de equipamento vai se pagar antes de se tornar irrelevante?”. Qual é a relevância de uma câmera digital? 18 meses? Dois anos, certo? Então esse brinquedo chique que você comprou vai se pagar em dois anos? Quantos dias eu estarei fotografando com aquela câmera? Então são pequenas coisas como essas que eu acho que eu aprendi com meu pai e eu sempre carreguei comigo. Coisas do tipo não saia comprando coisas só para tê-las, compre porque você pode fazer dinheiro com isso.

Quando você deveria arranjar um agente?

Você não procura por um agente. Um agente encontra você. O que eu quero dizer com isso é que muitos jovens fotógrafos pensam que um agente vai ser a resposta para todos os seus problemas e que eles vão encontrar trabalhos e que eles vão divulgá-los, promovê-los, quando a realidade é que isso não é bem o trabalho de um agente. O trabalho de um agente é facilitar projetos, contratos, redes de negócios para você. Mas eles não vão te dar trabalho. Você vai conseguir trabalho por fazer bom trabalho. E se você tiver o melhor agente do mundo, se você não fornecer bom trabalho para ele promover, ele vão vai fazer nada por você. Um agente não é essa panaceia que muitos jovens fotógrafos pensam que é. E eu não recomendo conseguir um agente de maneira alguma enquanto você não tiver uma carga de trabalho para lidar, uma demanda. Eu tenho um agente que eu simplesmente não seria capaz de fazer todas as coisas que faço se eu não tivesse aquele agente como um recurso, como um membro da minha equipe. Alguém que mantém os trabalhos fluindo e mantém os contratos e os acordos juntos e que também promove e faz rede de contatos e que está lá em meu nome, mas se eu não o der boas ferramentas, se eu não der bons trabalho então ele são seria capaz de me dar nada. Então você trabalha em seu trabalho e não o seu agente. Então eu não acho que um agente é uma coisa boa a se ter enquanto você não tiver um monte de trabalho.

Quais foram os seus melhores e piores dólares investidos em marketing?

O melhor dinheiro investido em marketing até agora foi claramente o primeiro livro de trabalhos. Eu acho que o pior, e que eu não quero nomeá-lo, mas acho que teve um monte de sites diferentes e coisas promocionais que existiram que simplesmente não funcionaram. Talvez a intenção dessas coisas era boa, mas a execução não era muito boa. Acho que é difícil dizer para escolher uma única coisa boa e eu não quero nomear certas coisas, mas você tem que ser cuidadoso em como você gasta seu dinheiro e se você está investido no que é certo para você. Eu faço meus projetos pessoais e eu acho que eles são a melhor ferramenta de marketing porque a quantidade de pessoas que veem é muito grande. Esse é o meu segredo.

 

O que você faz quando seus clientes querem parcelar?

Se o cliente quiser te pagar em prestações, você deveria ou não aceitar? E eles querem as imagem ao pagar. Eu vou dizer como eu lido com isso pessoalmente, pois eu não posso fazer decisões financeiras por você, porque eu não sei quais são as suas necessidades e não seria justo eu dizer o que você deveria ou não fazer com relação às finanças. Mas para mim, eu estou constantemente estendendo crédito para os clientes por 480 dias. 100, 200, 300 mil dólares em orçamento de produções em que eu fico com 50% e depois fico esperando pelo dinheiro por meses, então para mim isso é normal no negócio de publicidade. É normal ter ciclos de 30, 60, 90, 120 dias. Então isso é provavelmente uma das coisas mais frustrantes. Eu acho que às vezes você tem que fazer isso, mas se parece que o seu cliente não vai estar financeiramente estável o suficiente para te pagar, então você tem que tomar essa decisão pensando se essa empresa estará por aí em 6 meses ou em um ano porque se eles usarem as imagens e se você licenciá-las e se a empresa tem longevidade, eles vão ter que te pagar, porque eles roubaram de você. Então eu acho que as pessoas tem que tomar essas decisões com cuidado. Quando eu trabalho com um cliente estrangeiro, quando alguém me liga de Israel e quer que eu fotografe um atleta profissional, eu quero o meu dinheiro adiantado. Eu não vou ficar perseguindo um cara em Israel por dinheiro. Quando eu trabalho com chineses, eles me pagam adiantado. Sou pago em dinheiro de vez em quando porque eu não vou ficar perseguindo alguém na China por dinheiro. Isso não faz sentido. Essa é uma pergunta difícil, você tem que tomar essas decisões por si só.

Quando eu deveria cobrar por licenciamento e uso de imagens?

Resposta simples: sempre. É sua propriedade intelectual. São suas ideias, você não as entrega de mãos beijadas. Você requer que as pessoas as licencie. É simples, isso é sua anuidade, sua aposentadoria, sua pensão. Você é um contratante independente. Eu não consigo dizer quantas vezes as pessoas licenciaram minhas imagens. Eu acho que você sempre deve entender que esse é o seu trabalho agora. Sempre haverá casos em que as pessoas desejarão possuir o seu trabalho, mas elas deveriam pagar uma quantia Premium por isso. Se elas vão possuir seu trabalho, você deveria entender que isso custa o dobro ou o triplo e que elas devem pagar a mais por isso, porque você não pode simplesmente doar o seu trabalho. O que você está fazendo quando você está entregando o seu trabalho, e isso é primordial, quando você dá para alguém direitos ilimitados, usos ilimitados e tempo ilimitado, você está tirando aquele cliente do mercado completamente, para todo mundo, por um longo período de tempo. Porque você dá a eles imagens que podem durar 5, 6, 7, 10 anos. Acabou. Eles não precisam fazer mais nada. Eles não precisam refazer mais nenhuma fotografia até que um novo diretor de marketing chegue e determine que a direção das coisas deve ser modificada. Porque você os tirou da indústria. Se você licenciar para eles, eles estarão mais propensos a dizer que ao invés de pagar por esse licenciamento irrestrito, é hora que fazer algo novo, de revigorar. Mas se eles possuem direito ilimitados, vai ser difícil para eles rever essas questões. Não tire clientes da indústria. Não tire o dinheiro da mesa para todo o resto das pessoas. Isso é o que todos nós deveríamos fazer. Se todos trabalharmos juntos, nós ficaremos bem. Mas o problema é que muitas pessoas estão nessa situação em que elas precisam do dinheiro e precisam urgente. Mas o que isso implica? É o equivalente a dizer “eu vou comprar uma caminhonete que faz 5 km com um litro, qual o problema? Sou só um cara. Mas se todo mundo pensar assim, isso destruirá o planeta.”. Então se todo mundo pensar assim, isso vai destruir essa indústria.

Qual é a melhor maneira de não queimar uma ponte?

Eu já queimei tantas pontes que eu deveria ter um corpo de bombeiros. Eu pessoalmente acredito que às vezes pontes são destinadas a serem queimadas porque você não precisa de pessoas na sua vida que vão te levar pra baixo. Você tem que eliminar distrações, você tem que eliminar os opositores, você tem que eliminar o negativo e ficar cercado de pessoas que são positivas e que vão contribuir e não te puxar para trás. Então às vezes pontes precisam ser queimadas. Se você tem um cliente que ocupa 90% do seu tempo e que só gera 20% da sua receita, então você precisa olhar para o seu negócio cuidadosamente e saber que precisa se desfazer dele. O agravamento e a perda de tempo não equilibra com a receita gerada e essa é uma ponte que você quer queimar. Agora você não precisa criar um incêndio devastador, você pode apenas queimar a ponte. Pode ser que um cliente, de repente, comece a perceber o seu valor e fique disposto a te compensar melhor e entenda todas as coisas que você precisa fazer. Então eu acho que isso é algo que você deve ter cuidado. Eu, pessoalmente, acho que o meu maior arrependimento é que eu queimei algumas pontes muito cedo na minha carreira que eu gostaria de ter de volta. Por ignorância e arrogância eu cometi alguns erros. Eu deixei minhas opiniões falarem antes dos meus filtros e isso é algo que eu trabalho para melhorar até hoje. Eu tento não ser tão livre de um filtro.

Quais são as primeiras perguntas que você pergunta quando vai trabalhar com um novo cliente?

Minhas primeiras perguntas não são necessariamente para o cliente, mas as primeiras perguntas são “isso é bom criativamente e isso se encaixa no meu livro?”. A criação vale a pena o tempo, a energia e o esforço  despendidos? Se sim, então eu não fico tão preocupado com o orçamento porque a parte criativa será incrível e é por isso que eu sou mais apaixonado. Depois eu vou conversar com os clientes para descobrir se eu posso colaborar com os criativos ou se eles são do tipo que relaxam e me deixam fazer todo o trabalho criativo, o que eu não necessariamente gosto, porque eu realmente gosto de colaborar com as pessoas. Eu gosto de pegar a ideia de outras pessoas e mudar a energia para que o trabalho tenha outras influências. O trabalho é dinâmico em função das ideias de outras pessoas germinarem juntas. E quando eu percebo que os criativos querem que eu faça todo o trabalho pesado e todas as tomadas de decisão e que eles querem que eu magicamente leia as mentes deles, então eu começo a examinar e perguntar como eles veem isso. A partir da resposta deles eu imagino se eles serão um cliente de alta manutenção, em que eu vou ter que fazer tantas coisas que irá exigir uma tonelada de trabalho ou se eles são pessoas que irão me dar energia e me inspirar para fazer algo fantástico. Então eu sondo essas questões, com perguntas que eu faço para eles. Se não se encaixar criativamente, então o orçamento precisa ser fantástico, porque de outra maneira, por que fazê-lo? Honestamente eu tenho 30 trabalhos por ano, é o máximo que eu consigo fazer. Se eu preencher os 30 com 10 trabalhos ruins, isso é um terço do meu tempo perdido. Eu não contribuí em nada com meu livro, meu portfólio ou a minha carreira criativa.

Qual sua opinião sobre marcas d’água sobre imagens em seu website?

Eu não tenho nenhuma marca d’água no meu website. Eu acho que elas distraem e são amadoras. Eu acho que as pessoas vão roubar e compartilhar e emprestar. Eles vão achar um jeito de pegá-las. Existem softwares hoje que permitem que você encontre as pessoas que estão roubando suas imagens e que estão usando elas mesmo assim. E se você encontrar esses usos inapropriados, você pode ganhar dinheiro com base em seus direitos autorais. Eu não sou um grande fã de marcas d’água. Eu acho que elas são horríveis.

Quanto do seu trabalho veem do seu agente e quanto vem de você?

A essa altura do tempo, eu acho que não consigo definir um número certo para isso, porque eu estou com minha agente a um tempo suficiente em que há uma espécie de mistura ali. Eu sei exatamente o que minha agente faz para o mercado. Ela é muito transparente com relação ao que ela está fazendo. Ela provê uma atualização trimestral com exatamente o trabalho que o escritório dela tem feito, o que eu tenho feito e o que eu deveria estar fazendo. Então isso é uma coisa ótima que a minha agente faz. A cada três meses eu recebo um lembrete de que por exemplo, eles, enquanto agentes, foram a Nova Iorque, Chicago e Los Angeles para mostras, promoveram uma mesa redonda para compradores de arte, se encontraram com fulano, ciclano e tudo mais. Que enviaram emails, pdfs, promoções. Eles listam tudo, o que eu acho incrível porque me mostra as coisas que eu não necessariamente estou vendo. Então eu não consigo ser específico, eu tenho uma excelente agente que eu realmente respeito, eu acho que a indústria respeita ela e eu estou muito feliz com onde estou. Eu já tive outras representações que não eram nem tão transparentes nem tão eficientes em compartilhar informações.

Que tendências os fotógrafos deveriam abandonar e quais deveriam adotar?

Ok, duas coisas. Um: você nunca vai fazer uma vaca roxa se seguir as tendências. Porque todo mundo está fazendo isso. Você só vai ser outra vaca preta e branca. Então você tem que ser cuidadoso sobre tendências. Eu acho que o mercado e o círculo e as coisas são cíclicas. Uma tendência vai surgir, então todos os fotógrafos vão orbitar por ali, então eles lutam e competem por clientes, todos mostrando trabalho muito similar. Eu nunca fui um grande proponente disso, então eu meio que tento ficar longe disso. Apesar de que o meu trabalho já foi bastante ligado em tendências em certo tempo. Meu trabalho de hiper contraste, super saturação, brilhante, com uma cara estilizada, era uma tendência. Acho que eu não estava necessariamente seguindo uma tendência. De certa forma isso era o meu estilo. Então isso se tornou o estilo de muita gente porque eu estava me saindo fenomenalmente bem. Assim que isso se tornou uma tendência, eu me distanciei disso. Eu ainda sou requisitado para fazer isso, então eu ainda tenho que fazer isso, mas eu tento convencer as pessoas de fugir disso. Eu tento ficar longe de uma tendência que eu acho que está sendo super usada. Eu acho que o HDR, o hiperrealismo é uma tendência que deveríamos abandonar. Eu cansei disso, eu acho que tanta gente fez isso de maneira tão pobre que ficou grotesco. Foi legal por um tempo, mas eu acho que tem sido tão mal feito que está difícil de encarar hoje em dia. O que eu tenho visto agora é que o mercado está caminhando pra trás na direção do que eu estava fazendo anos atrás com uma vibe mais anos 80. Mais como porcarias excessivamente iluminadas e super vibrantes e como eu tenho feito isso, eu espero que isso se torne uma tendência. Meu trabalho tem caminhado para isso porque eu tenho sido contratado para isso, mas também porque eu tenho começado a perceber uma necessidade por isso. Isso vai e volta, Gatorade foi um cliente que eu tive e oito anos atrás nós fizemos uma foto de um tunel bem dramática e hiperrealista que foi super legal e que ajudou muito em minha carreira. Aí eles trocaram de agência e por anos e anos tem sido esse look and feel bem natural, quase pouco produzido, mas agora eles estão começando a voltar para aquele clima super escuro, cheio de texturas. Então o marketing vai em uma direção, depois muda e volta. Tudo gira em torno de marcas tentando encontrar distinção, tentando serem a vaca roxa, tentando encontrar algo que elas possam possuir e serem diferentes e se sobressair antes que todo mundo entre na mesma onda. Por sorte, para mim, eu acho que nós estamos caminhando mais em direção de conceitos bem pensados e provocativos ou, de alguma maneira, imagens produzidas

Conheça mais sobre o inacreditável trabalho de Tim Tadder em seu site oficial: www.timtadder.com

Ficou curioso pra saber quem é a agente dele? Aqui está: www.heatherelder.com

You Might Also Like

Nenhum Comentário

Comente!

​EBOOK ​Gratuito - ​50 dicas de fotografia para aprender já!