Dicas

Um convite ao erro na fotografia como ferramenta de criatividade

22/07/2019
A relação entre o erro e criatividade na fotografia

Fotógrafo Vanilson Coimbra fala sobre a criatividade no processo de aprendizagem da fotografia


Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Educação de Cingapura, sugere que o erro faz parte do processo de aprendizagem, fazendo com que as novas informações fiquem retidas na memória. Entender a importância da criatividade e como ela pode ser estimulada permite aos fotógrafos estarem mais conectados com o mundo contemporâneo. 


De acordo com o fotógrafo Vanilson Coimbra, formado em psicologia e diretor de moda da Revista A!, na fotografia é impensável errar, mas questiona-se que os equipamentos cada vez mais tecnológicos e os inúmeros cursos, regras e fórmulas, acabam por produzir uma geração de fotógrafos sem espaço para o erro mas com um baixo índice de criatividade e inovação.


“Ninguém gosta de falhar e nem se sentir despreparado, mas errar faz parte do processo criativo”, afirma.


O processo criativo é um fenômeno complexo, envolve a psicologia, a filosofia, a estética, entre outras ciências. Mesmo assim, a criatividade é um traço essencial do ser humano. Por isso é importante que os cursos de fotografia também sejam voltados para o pensamento criativo e para a expressão artística.


Ainda segundo os pesquisadores de Cingapura, é melhor deixar que o indivíduo, fotógrafo ou não, aprenda com os próprios erros, pesquise, improvise e encontre as próprias soluções antes de sair por aí absorvendo um monte de regras que nem sempre atendem a todos os casos. 


Muitos cursos deixam a arte e criatividade de lado, abordam questões técnicas, equipamentos, câmeras, flashes. Alunos saem confusos, perdidos com aquelas informações, investindo em equipamentos pouco úteis e o principal, sem inspiração. Estimular a criatividade nas aulas é um desafio, mas é possível trabalhar de forma que o processo de criação caminhe em paralelo ao conteúdo, favorecendo não só o aprendizado, mas a busca por saídas diferentes.


A criatividade depende de espaço para se expressar. Uma mente focada em preocupações, prazos e estresse, geralmente sabotam o processo criativo. Muitos profissionais travam na hora de fotografar. Por isso é importante ser otimista, se permitir e se distrair, procurando a descoberta, a inspiração e a transformação do olhar pela fotografia.


Coimbra acredita que a experimentação deva ser parte do portfólio do fotógrafo.

“Eu conheço inúmeros profissionais que se acomodam no mesmo portfólio, politicamente correto mas sem emoção e nem inovação. O tempo passa e o portfólio continua lá, imutável, sem novidade. Acho importante mudar o portfólio com o tempo, atualizar o site, investir em uma estética de imagem diferente. O profissional pode ser fiel ao estilo, mas isso não significa que não se permita variar, criar novos projetos, experimentar novas frentes. Errar faz parte do processo para chegar a objetivos melhores. Errar faz parte do aprendizado”, explica Coimbra.

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