Dicas

Você sabe o que é expor para a direita?

13/04/2016
Dicas de fotografia: expor para a direita

Diferentemente dos nossos olhos, as câmeras fotográficas não conseguem captar toda a amplitude de tons do mundo real. Isso quer dizer que uma mesma cena contendo áreas muito escuras e áreas muito claras dentro do mesmo quadro terá problemas para ser bem representada pelas nossas câmeras digitais.

Os problema mais comum é a formação de uma grande área branca, completamente sem informação de cor, ou seja, uma área contendo branco puro nas regiões de altas luzes, como em uma nuvem branca, ou no brilho do sol na foto abaixo, por exemplo. Da mesma forma, há problemas também na situação inversa, em que uma área de sombra torna-se completamente preta, sem a existência dos detalhes, texturas etc.

Luzes e sombras no histograma

Representação das sombras e das luzes no gráfico do histograma. A cena possui uma diferença muito grande de iluminação entre as duas áreas.

Pra entender a origem disso, é preciso saber que antes de se fazer o disparo, nossas câmeras fazem uma leitura da luz da cena, para em seguida, realizar os cálculos que vão definir a quantidade de luz que a câmera deverá deixar entrar para realizar a exposição adequadamente.

O que acontece é que essa medição da luz pode ser feita a partir de um ponto, uma região específica da cena ou também a partir de uma média geral da cena como um todo dependendo da opção que você ajustar em sua câmera. E é justamente em cenas com contrastes muito grandes entre as áreas de luz e sombra que os problemas acontecem, já que há um conflito de interesses.

O raciocínio é muito simples: para que a câmera consiga representar um objeto situado em uma área muito escura, sob uma sombra, por exemplo, ela terá que deixar entrar mais luz do que ela deveria deixar entrar para representar corretamente esse mesmo objeto sob a forte luz de um holofote. Assim, quando temos uma pessoa embaixo da sombra de uma árvore e no mesmo enquadramento temos uma nuvem muito clara e brilhante no céu, o tempo a mais necessário para expor corretamente a pessoa é o suficiente para “estourar” a nuvem. Ou seja, entra luz suficiente para iluminar a pessoa, mas ao mesmo tempo entra luz em excesso partindo da perspectiva da nuvem, fazendo com que ela fique sem detalhes e texturas. Ela se torna uma grande massa branca, que, via de regra, é consideravelmente indesejada, em especial na fotografia impressa.

Expor para a direita é uma técnica, muito usada em especial nas fotografias de paisagem, que vai te ajudar a lidar com os problemas causados por essa grande amplitude de áreas muito claras e muito escuras dentro de uma mesma cena.

A ideia é basicamente fazer uma primeira captura de teste, verificar o histograma em sua câmera e, em seguida, fazer um segundo disparo tentando deixar o histograma chegar o máximo possível em direção à direita, mas sem criar barras altas nessa extremidade. A região da direita do histograma representa as altas luzes da foto, ou seja, as áreas mais claras.

Para fazer isso, será necessário “compensar a exposição”. Ou seja, você vai superexpor (deixar entrar mais luz / clarear a cena), ou subexpor (deixar entrar menos luz / escurecer a cena) de acordo com o que você observar no seu primeiro disparo de teste.

Comparativo do histograma para acertar a exposição para a direita.

No disparo de teste (foto da esquerda) a cena está subexposta. O histograma pende para a esquerda e há pouca informação nas áreas de altas luzes. Em seguida, foi utilizada a técnica de expor para a direita, empurrando o histograma por meio de uma pequena compensação da exposição. Atenção para o cuidado de não deixar barras verticais na ponta extrema à direita. Se houver uma barra alta na ponta direita, você não terá informações de cor para resgatar em determinadas áreas muito claras da cena, o branco puro que comentamos anteriormente.

Se nesse primeiro disparo o histograma está mais à esquerda, superexponha. Se ele estiver mais a direita, subexponha, mantendo ele mais a direita, mas com o cuidado de eliminar as barras altas no final do histograma.

Você pode superexpor basicamente de duas formas: aumentando a abertura do diafragma ou diminuindo a velocidade do obturador ou ambos ao mesmo tempo. Para subexpor, faça o contrário: feche mais o diafragma (aumentando o número f/), aumente a velocidade do obturador ou ambos ao mesmo tempo.

Depois que você conseguir o histograma ideal, sem áreas estouradas, você deverá partir para a segunda fase da técnica que acontece na edição.

A foto como um todo estará pendendo para tons mais claros, necessitando de ajustes nas áreas de sombras. Na pós produção é mais fácil escurecer uma sombra do que clareá-la. Isso acontece porque quando se clareia uma sombra na edição, dependendo da intensidade, surge com bastante intensidade um ruído indesejável, denegrindo a qualidade dessa região.

Iluminar sombras no Adobe Lightroom

No Adobe Lightroom você consegue facilmente iluminar áreas de sombra no módulo básico de revelação movendo os sliders de “sombras” e “pretos” para a direita. É possível usar o Pincel de Ajuste, cuja tecla de atalho é a letra K, para iluminar áreas específicas com mais precisão. Com o pincel você poderá iluminar essas áreas alterando também o parâmetro de “exposição” , além, é claro, dos ajustes de “sombras” e “pretos”.

Infelizmente essa técnica funciona melhor quando há o envolvimento da pós-produção no preparo da foto final e a captura é feita em RAW. Quem fotografa diretamente em JPG para resultados prontos diretamente da câmera, expor para direita pode ajudar em alguns casos, mas a atenção deve ficar redobrada nas áreas de sombra. Veja se o resultado não ficou ruim por elas estarem claras demais.

A essa altura do artigo você já deve ter percebido que é uma técnica que usa tentativa e erro e requer um tempo até acertar a exposição, não sendo, portanto, útil para captura de instantes rápidos, cenas em movimento e afins.

Espero que na sua próxima saída fotográfica em busca de paisagens você já possa utilizar essa técnica e conseguir resultados melhores.

Boas fotos!

 

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4 Comments

  • Reply Icaro Benjamin 14/12/2016 at 00:33

    Excelente dica! Conheci a pouco o seu blog e já estou amando!
    A sua abordagem consegue realmente por em questão o que é certo ou não em uma fotografia, colocando em jogo os valores que realmente importam, a leitura da imagem!

    Parabéns!

    • Reply Moysés Lavagnoli 14/12/2016 at 13:09

      Muito obrigado pelo seu comentário, Icaro! Entre e fique à vontade!

  • Reply Marcel 12/10/2017 at 01:01

    Ola, tudo bom… entao eh melhor fazer uma foto superexposta para facilitar no tratamento?
    Parabens e Obrigado

    • Reply Moysés Lavagnoli 13/10/2017 at 21:40

      Não é bem isso amigo, uma foto superexposta tecnicamente possui barras altas na extremidade direita, o que faz com que você perca detalhes nas áreas de altas luzes e fique com dificuldades em resgatá-las na edição. A ideia é jogar o histograma um pouco pra direita, para registrar detalhes nas áreas de sombra, mas não “estourar” a imagem nas áreas de altas luzes.

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